Está aqui

Está aqui

  • O programa de identificação de talentos trabalha para identificar os melhores alunos do 6.º ano do Quénia que apresentem uma excecional capacidade intelectual e um potencial de liderança. Ao identificar estudantes de exceção de uma variedade de contextos socioeconómicos, étnicos e religiosos e ao oferecer-lhes uma educação de classe mundial, as Academias visam preparar líderes que venham a moldar o desenvolvimento das suas sociedades.
    AKA
Identificação de talentos
Identificar talentos para criar líderes locais

Como muitos adolescentes, Asma Shariff, de 15 anos, adora praticar desporto. Mas ela sente-se especialmente grata pela oportunidade de poder praticar futebol, basquetebol e atletismo, dado que ela é de Garissa, uma cidade no nordeste do Quénia onde as raparigas não estão autorizadas a praticar desporto e normalmente aos 15 anos já estão casadas.

Uma mãe solidária e uma bolsa de estudos integral fornecida pela Academia Aga Khan proporcionaram a Asma o bilhete de partida de uma cidade onde, segundo a própria, as raparigas não são incentivadas a seguir os estudos.

Asma foi uma dos bolsistas de todo o Quénia aceites na Academia em 2012. Ela foi selecionada através do processo de identificação de talentos da escola, que envolve avaliações de conhecimento académico, competências na resolução de problemas, capacidade de liderança e consciência social. Ao identificar estudantes de exceção de uma variedade de contextos socioeconómicos, étnicos e religiosos e ao oferecer-lhes uma educação de classe mundial, as Academias visam preparar líderes que venham a moldar o desenvolvimento das suas sociedades.

"A chave para o progresso futuro no mundo em desenvolvimento será a sua capacidade de identificar, desenvolver e manter líderes locais qualificados e competentes", disse Sua Alteza o Aga Khan na cerimónia de colocação da primeira pedra da Academia em Hyderabad, Índia, em 2006.

"A sociedade bem orientada de futuro será, na minha opinião, uma meritocracia - na qual os papéis de liderança se basearão na excelência pessoal e intelectual", acrescentou. "O nosso objetivo não passa, por isso, por oferecer uma educação especial a uma elite privilegiada - mas sim fornecer uma educação excecional aos alunos verdadeiramente excecionais."

Num esforço para desenvolver estes líderes locais, as Academias Aga Khan em Hyderabad e Mombaça levam a cabo um intenso programa de identificação de talentos. Foi criado há seis anos em Mombaça, sob a orientação de Paul Davis, Reitor de Admissões, em colaboração com o Dr. John Munro, investigador da Universidade de Melbourne, especialista em identificar alunos talentosos de diversos contextos. O programa de identificação de talentos trabalha para identificar os melhores alunos do 6.º ano do Quénia que apresentem uma excecional capacidade intelectual e um potencial de liderança.

A identificação de futuros líderes é um desafio. As Academias não estão simplesmente a procurar alunos que sejam os melhores da sua turma, mas antes aqueles com capacidades de liderança - uma qualidade que pode ser difícil de discernir numa criança. O processo de admissão torna-se mais complicado devido ao compromisso das Academias em proporcionar aos alunos de contextos rurais e marginalizados - estudantes que possivelmente não procurariam obter, por sua iniciativa, uma vaga nas Academias - uma oportunidade de serem admitidos.

Para identificar estudantes talentosos nessas comunidades, a Academia Aga Khan de Mombaça colabora com a sua rede de escolas governamentais e sem fins lucrativos, incluindo aquelas que beneficiam de outros programas da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento. Os diretores e professores do 6.º ano nessas escolas nomeiam os alunos de excelência das suas turmas. Estes alunos são pré-selecionados pela equipa de admissões e os mais promissores são entrevistados.

Aqueles que demonstrem, em maior grau, as qualidades que a Academia procura - motivação e curiosidade intelectuais, capacidade potencial de liderança e um bom carácter - são convidados a passar por um processo de avaliação secundária. Este inclui uma série de atividades, incluindo uma avaliação de escrita criativa, uma avaliação de escrita pessoal, exercícios de resolução de problemas, outra entrevista e uma avaliação dinâmica. Esta última oferece aos alunos a oportunidade de responder às instruções do entrevistador e mostrar a rapidez com que aprendem. Estas avaliações são feitas em inglês ou em suaíli. 

"Não estamos apenas a olhar para a aprendizagem instituída, também levamos em conta a forma como os alunos pensam e a capacidade de pensamento criativo", disse Paul Davis.

Tomada em conjunto, esta variedade de avaliações permite que a equipa de admissões elabore um quadro holístico de cada aluno e identifique o seu potencial académico e de liderança, independentemente da sua preparação educacional anterior. O processo de avaliação multifacetada destaca os pontos fortes de alunos que não teriam necessariamente bons resultados nos exames tradicionais de ingresso nas escolas. O potencial de liderança, por exemplo, pode significar coisas diferentes para alunos diferentes. Uns podem entrar na escola tendo já assumido papéis de liderança nas suas comunidades, ao passo que outros podem ser admitidos porque o seu processo de avaliação realçou a sua inclinação para assumir esses papéis no futuro.

Todos os anos, os estudantes de comunidades rurais e marginalizadas recebem entre quatro e seis bolsas de estudo por um período até sete anos. Os bolsistas exibem altos níveis de aptidão intelectual e competências de liderança desde tenra idade, ainda que muitos deles venham de famílias com dificuldades em pôr comida na mesa ou manter um telhado sobre as suas cabeças. Deste grupo fazem parte estudantes como Maxwin Oj'wang, que vive com outros seis membros da família numa casa com dois quartos num bairro de lata em Mombaça. Antes de ser identificado pela Academia pelas suas fortes capacidades analíticas, perspicácia matemática e compaixão, ele frequentou uma escola primária que não tinha cadeiras ou mesas suficientes para todos os alunos.

Da mesma forma, a aspirante a contabilista Elizabeth Wanjiku vem de uma casa sem água canalizada ou eletricidade, governada por uma mãe solteira que luta para fazer face às despesas vendendo chapati e feijão. Elizabeth sempre foi altamente motivada e talentosa a nível académico e lembra-se de trabalhar aplicadamente para melhorar a sua gramática, mesmo no jardim-de-infância.

Muitos dos estudantes revelam preocupação com questões sociais e políticas bem cedo nas suas vidas. Quando Japheth Otieno Arya, um estudante de Kisumu, chegou à Academia aos 13 anos, em 2012, estava profundamente interessado na política. Para além de refletir acerca de relações internacionais e fluxos de ajuda externa, ele impressionou os seus entrevistadores com o seu conhecimento detalhado acerca da nova constituição do Quénia. Inspirado pela sua própria experiência de apoio aos doentes e menos afortunados em Kisumu, Japheth planeia tornar-se neurocirurgião para poder ajudar pessoas necessitadas.

O programa de identificação de talentos permite à Academia Aga Khan de Mombaça reunir estudantes de todos os cantos da sociedade queniana. A rede de academias está prestes a conseguir ter um corpo estudantil no qual 50% recebem algum tipo de ajuda financeira. Este ano, cerca de 300 alunos das academias estão a beneficiar de assistência financeira que lhes permite frequentar os estudos. As Academias Aga Khan também garantem um equilíbrio equitativo entre géneros em todo o corpo estudantil - atualmente, pouco mais de metade dos estudantes é do sexo feminino.

Em todas as Academias Aga Khan, os alunos conhecem e aprendem com pessoas de outros contextos diferentes. Os estudantes de famílias abastadas são amigos daqueles que recebem um apoio substancial através de uma bolsa de estudos. Os estudantes de diferentes religiões e culturas, de várias províncias e países, vivem e aprendem em conjunto. Todos os dias é possível ouvir esses alunos a ligar para casa em várias línguas e dialetos. Eles também participam e assumem papéis de liderança numa variedade de atividades extracurriculares, que variam desde a prática da vela à participação em simulações de organismos internacionais das Nações Unidas, os quais poderiam nem estar disponíveis para eles nas suas antigas escolas. 

“Estou bastante impressionado com a rapidez com que os alunos compreenderam a visão de Sua Alteza. Eles expressam isso no seu pensamento e comportamento”, diz Paul Davis.

Os estudantes, como Asma, assumem os papéis de liderança que a Academia lhes oferece pouco tempo depois de chegarem à escola. Inspirada pela oportunidade que teve de estudar na Academia, Asma tem promovido a educação de raparigas na sua própria comunidade. Ela faz apresentações às turmas de raparigas da sua antiga escola sobre como é possível que as raparigas sejam líderes e porque é importante que estas obtenham educação.