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  • Cientistas e estudantes da Universidade de Bamyan levaram a cabo experiências no terreno para identificar as variedades de feijão mais adaptadas a condições climatéricas mais secas.
    UCA
Universidade da Ásia Central
Feijão resistente ao clima seco para alimentar as famílias no inverno

A Classificação Integrada da Segurança Alimentar por Fases (IPC) estimou que, entre Novembro de 2021 e Março de 2022, quase 23 milhões de afegãos – mais de metade da população do país – irão enfrentar uma insegurança alimentar aguda e passar fome. Este valor é um recorde – um aumento de 35% em relação ao mesmo período do ano passado – e, como é habitual, muitas das pessoas afetadas estão concentradas nas terras altas do centro e norte do país.

Cientistas da Universidade da Ásia Central (UCA) identificaram espécies de feijão comum – que muitas vezes requerem uma irrigação adequada para se desenvolverem – que conseguem adaptar-se a condições climatéricas adversas e providenciar às comunidades montanhosas uma fonte nutritiva fiável durante a estação de escassez.

O feijão, juntamente com outras leguminosas, desempenha um papel importante na dieta dos povos afegãos. É uma fonte de proteína, é rico em antioxidantes, minerais e vitaminas, e está associado à redução do risco de cancro.

Nos últimos anos, a produção de feijão comum tem vindo a aumentar nas produções agrícolas afegãs. No entanto, o clima árido com pouca pluviosidade no verão representa um sério desafio. Investigações realizadas no Brasil, Chile e Irão revelam que um défice severo a nível hídrico reduz significativamente o crescimento das plantas de feijão.

A investigação da UCA foi conduzida em cooperação com a Universidade de Bamyan. Professores, assistentes de investigação e estudantes da Universidade de Bamyan desenvolveram e contribuíram para projetos construídos em torno dos temas da segurança alimentar, da melhoria dos meios de subsistência e da conservação dos recursos ambientais na província de Bamyan – na parte ocidental da cordilheira de Indocuche, conhecida pelos seus invernos frios e pela pouca irrigação.

Os cientistas estudaram o feijão comum ao longo de dois anos. Em 2018, plantaram várias variedades, incluindo feijão malhado, encarnado, branco, preto e catarino. Ao fim do primeiro ano, identificaram duas variedades – feijão-encarnado e malhado – que se adaptaram à seca e foram colhidos no início da estação. A colheita antecipada evita o défice hídrico que possa vir a ocorrer no final da estação de cultivo.

Durante o segundo ano, o feijão-encarnado evidenciou um maior peso no grão e uma maior produtividade na colheita. O maior peso do grão é um indicador da capacidade de uma planta de resistir a doenças, insetos e condições ambientais – e resulta normalmente num grão mais nutritivo e saciável.

Para além disso, uma maior produtividade nas colheitas poderia ajudar os agricultores a conseguirem um rendimento adicional.

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A equipa de investigação a trabalhar numa plantação de feijão no distrito de Yakawlang, na província de Bamyan, no Afeganistão.
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UCA

A investigação, publicada recentemente na revista Agronomy, diz que “as plantas de feijão-encarnado são a melhor opção, devido aos padrões climáticos secos e severos associados a esta região montanhosa do centro do Afeganistão, principalmente quando a água de rega é limitada”.

No entanto, ambas as variedades – feijão-encarnado e malhada – são consideradas culturas adequadas para a região e uma boa fonte de nutrição para as famílias.

O trabalho de campo no Afeganistão foi realizado no âmbito do programa “Caminhos para a Inovação” (P2I) da UCA, um programa trienal (2017-2020) com vista a promover conhecimentos e competências analíticas em matemática, ciência e política económica no Afeganistão, Quirguistão e Tajiquistão. O programa foi financiado pelo Centro de Investigação para o Desenvolvimento Internacional e pela Fundação Aga Khan Canadá.