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  • Sua Alteza o Aga Khan discursa na Conferência Anual do GCP 2019 para apresentar a Vice-Secretária-Geral nas Nações Unidas, Amina J Mohammed.
    Photo: AKDN / Sergio Garcia
Conferência Anual do Pluralismo do GCP 2019

Bismillah-ir-Rahman-ir-Rahim

Sra. Mohammed
Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia
Suas Excelências
Senhoras e Senhores

É um enorme prazer dar-vos as boas-vindas, em nome da Direção do Centro Global pelo Pluralismo, à Conferência do Pluralismo de 2019, aqui no Centro Ismaili, em Lisboa. 

Estou muito satisfeito por esta sétima Conferência anual realizar-se em Portugal. E digo isto não apenas porque este belo país está repleto de história e cultura globais e geralmente banhado pelo sol. Para aqueles entre nós que acreditam no trabalho de construção de pontes de pluralismo, Portugal tem muito a ensinar, mesmo quando enfrenta os seus próprios desafios.

Este país é abençoado com uma longa história de coexistência produtiva entre cristãos, judeus e muçulmanos. A História do Al-Andalus foi escrita aqui, na Península Ibérica, entre os séculos VIII e XVI. Esta mistura de culturas, religiões e línguas trouxe inovações na arquitetura, na agricultura, na medicina e até na gastronomia, que estão hoje entrelaçadas no próprio tecido do Portugal moderno. 

Em Julho do ano passado, o Índice Global da Paz classificou Portugal entre as cinco nações mais pacíficas do mundo. E por uma boa razão. Num momento de crescente intolerância, este país estabeleceu algumas das políticas mais acolhedoras de migrantes na Europa. À medida que as populações em muitos países ocidentais estão a envelhecer, e até mesmo a diminuir, Portugal está entre os poucos que reconhecem que os recém-chegados são essenciais para garantir o futuro do país. 

Esta atitude acolhedora está fortemente associada ao pluralismo, que é a missão central do Centro Global pelo Pluralismo. O Centro, enquanto farol de investigação, educação e diálogo, está a retirar lições ao nível da dinâmica política, social e cultural de sociedades diversas e divididas de todo o mundo. Encorajo-vos a todos a explorar aquilo que o Centro tem para oferecer. Ao aprender com o sucesso dos outros, podemos ajudar as nossas próprias sociedades a “inocularem-se” contra a tentação de colocar várias pessoas umas contra as outras - incluindo a tentação de excluir populações marginalizadas. 

A porta-voz desta noite, a Vice-Secretária-Geral da ONU, Amina Mohammed, tem uma história de vida extraordinária, e todos nós temos o privilégio de beneficiar dos seus conhecimentos. Obrigado.

O envolvimento ativo da Sra. Mohammed com o desenvolvimento global e o seu compromisso apaixonado com a educação das raparigas - iniciativas com quase vinte anos, da altura em que ela coordenou o Grupo de Trabalho sobre Género e Educação para o Projeto do Milénio das Nações Unidas. Em 2005, enquanto Assistente Especial Sénior do Presidente da Nigéria para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, ficou encarregue de gerir os fundos de alívio da dívida da Nigéria para alcançar estes Objetivos. Os ODM, em resumo, são uma lista de oito Objetivos que deram ao mundo um modelo para enfrentar os seus maiores desafios sociais e económicos entre 2000 e 2015. 

A Sra. Mohammed, a princípio, descreveu-se como algo cética em relação a este projeto - como é que alguém poderia reduzir os desafios do mundo a oito objetivos? - perguntou ela. No entanto, ela abraçou a causa.

Com uma persistência obstinada, ela ajudou a garantir que cerca de mil milhões de dólares por ano iam para onde eram necessários e para onde estavam destinados - reduzir a mortalidade materna, dar às comunidades acesso seguro a água e providenciar boas escolas e professores aos estudantes nigerianos.

Em 2012, Amina Mohammed assumiu outro papel global como Assessora Especial do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, na próxima etapa do Planeamento das Nações Unidas para o Desenvolvimento - a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O seu novo desafio consistia em trabalhar com um pequeno número de nações, 193, para substituir os ODM por uma nova estrutura abrangente para o desenvolvimento global até 2030. 

Ao caracterizar esta nova estrutura, a Sra. Mohammed disse e passo a citar: “O desenvolvimento não é mais uma questão do Sul Global. É uma questão do Norte, Sul, Leste e Oeste globais." De facto, todas as nações membros das Nações Unidas - incluindo Canadá, Portugal e Nigéria - e outros 190 países, aceitaram os Objetivos como se fossem os seus próprios objetivos nacionais. A Agenda 2030 exige iniciativas por parte de todos os países para todas as pessoas.

Posteriormente, a Sra. Mohammed deixou a área conceptual nas Nações Unidas para voltar à área de implementação no seu país natal. Enquanto Ministra Federal do Ambiente, ela dirigiu as ações desenvolvidas pela Nigéria em relação às alterações climáticas e a conservação dos recursos para um desenvolvimento sustentável.

A Sra. Mohammed é uma expansiva defensora da ação global face às alterações climáticas, à educação infantil e à proteção dos direitos humanos. Acima de tudo, ela descreveu a igualdade de género - Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5 - como a “base de lançamento” para todos os outros Objetivos, um veículo essencial para a sua realização.

Foi Diretora, Governadora ou Consultora em inúmeras Administrações, incluindo a Parceria Global para Dados de Desenvolvimento Sustentável, o Centro Internacional de Investigação para o Desenvolvimento do Canadá e o Programa de Desenvolvimento Global da Fundação Bill e Melinda Gates. E recebeu demasiadas distinções e prémios para poder nomeá-las, pois temo não sobrar tempo para a sua palestra.

Senhoras e Senhores, é um grande privilégio receber a Oradora do Pluralismo de 2019, a Sra. Amina Mohammed.

Obrigado.