Está aqui

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  • Henry S. Kim, o Diretor e Presidente do Museu Aga Khan, falou acerca das aspirações internacionais do Museu sediado em Toronto. "Somos um museu que está presente aqui em Londres, mas também no Dubai, nos Estados Unidos, e no Canadá."
    AKDN / Shyrose Bhanji
Museu Aga Khan inaugura a exposição "Ver Através de Babel" em Londres

Boa noite e sejam bem-vindos.

Quando surgiu a oportunidade de trazer uma exposição para Londres, para o Espaço Zamana, no Centro Ismaili, fiquei verdadeiramente intrigado com essa possibilidade. Londres é, afinal, um fórum muito importante para a arte contemporânea de todo o mundo muçulmano. Com o trabalho que o Museu Aga Khan tem vindo a realizar em pouco menos de cinco anos com artistas contemporâneos, senti que era imperativo apresentar algo criado por nós, um processo que criámos para Londres, para mostrar ao público de Londres aquilo que o Museu representa. E é exatamente isso que fizemos aqui hoje.

Antes de apresentar o artista, gostaria de agradecer a algumas pessoas que tornaram isto possível. E, em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Presidente e Vice-Presidente do Conselho Ismaili do Reino Unido, assim como às suas diretorias para a divulgação e relações com a comunidade, e aos seus gestores de projeto, todos eles voluntários, pelo seu espírito de liderança e pelo apoio na concretização desta visão. Sem a sua liderança, nada disso teria acontecido. Também gostaria de agradecer à administração e ao pessoal do Centro Ismaili que ajudaram, de muitas formas, a criar esta exposição, desde a colocação de andaimes à auscultação paciente de ideias malucas sobre a suspensão de objetos nos tetos, até ao desmantelamento dos elementos, dizendo "depois havemos de voltar a pô-los no lugar." Gostaria, acima de tudo, de agradecer aos muitos voluntários que irão fazer parte da equipa desta exposição e da loja ao longo das próximas seis semanas, e também aos cerca de doze estudantes da Universidade das Artes de Londres que ajudaram Kevork a desenvolver a sua obra. E, obviamente, gostaria de agradecer aos nossos muitos apoiantes aqui em Londres. Aos nossos patronos, aos membros do círculo do nosso diretor, aos nossos mecenas, que têm apoiado firmemente o museu desde a sua abertura. E estou muito satisfeito por poder dizer que este Museu, de há cerca de três anos a esta parte, tem um conselho de Patronos, sediado aqui em Londres, liderado por Faisal Lalji e pelo nosso comité diretivo. Com esta presença em Londres, temos condições para oferecer uma programação sobre as artes do mundo muçulmano, sobre aquilo que acontece em Toronto para as pessoas que moram aqui em Londres. E para nós, isto é algo muito importante, uma vez que o Museu Aga Khan, apesar de estar localizado em Toronto, é um museu com verdadeiras aspirações internacionais. Somos um museu que está presente aqui em Londres, mas também no Dubai, nos Estados Unidos, e no Canadá. E este é um ponto muito importante acerca daquilo que é a essência deste Museu, porque não podemos simplesmente falar de arte islâmica apenas numa cidade, temos de ser capazes de espalhar esta mensagem por todas as cidades que conseguirmos. E muito obrigado por toda a vossa ajuda e apoio, porque sem isso, não poderíamos estar aqui hoje em Londres a inaugurar esta exposição.

Gostaria agora de apresentar o homem do momento, o artista Kevork Mourad. Kevork é um artista notável de ascendência síria, arménia e americana. E julgo que é muito interessante que Kevork se considere, em certo sentido, um duplo refugiado, pois a sua família teve de fugir para a Síria, vinda da Arménia, no início do século XX. Claro que têm existido refugiados sírios nos últimos sete anos, e é muito importante uma pessoa criar a sua identidade à medida que vai mudando de um país para o outro. Quanto do passado é que levamos connosco? Quanto do presente incorporamos hoje na nossa vida? E creio que se um artista é a soma de todos os seus momentos e de todos os seus passados, então Kevork é um bom exemplo de um artista que olha tanto para a frente como para trás. E assim, quando olharem para a sua obra, não olhem apenas para a criatividade de um artista contemporâneo, mas reparem também nas ideias históricas que estão na sua mente e que ele transfere para o suporte com o qual trabalha.

Kevork esteve envolvido em projetos do Museu Aga Khan ao longo dos últimos três anos, e esta instalação é o seu quarto projeto connosco. Em 2016, ele atuou com o clarinetista Kinan Azmeh, também ele um artista sírio, para criar um espetáculo sonoro e visual no qual a música de Kinan combinasse com a arte gráfica de Kevork de uma forma muito semelhante aquilo que irão ver dentro de instantes. Com base nisto, convidámo-los a voltar em 2017 para criar a peça central da nossa exposição chamada " Sinfonia Síria", que abriu novos caminhos acerca da forma como os artistas contemporâneos da Síria estão a responder e a expressar o pensamento de uma nação de pessoas acometidas por anos de guerra civil. Em fevereiro deste ano, Kevork regressou como artista residente do Museu, criando uma obra tridimensional que foi instalada em Fevereiro, e tenho o prazer de revelar que voltámos a instalá-la há apenas 3 semanas.

Considero a sua obra verdadeiramente extraordinária. E julgo que concordarão connosco quando observarem não apenas o processo de criação por ele usado, mas também a obra em si.

Aquilo que considero mais agradável acerca da interação entre Kevork e o Museu é que temos visto um progresso efetivo na sua prática artística ao longo dos três anos em que temos colaborado. Enquanto Museu, não estamos apenas interessados em mostrar as obras de artistas contemporâneos, queremos também colaborar com eles nas ideias intelectuais de uma obra ou exposição. Os ângulos que escolhemos enquanto Museu passam por explorar as ligações entre as culturas ou as ligações entre as práticas artísticas do passado e do presente. Temos artistas que estudam objetos das nossas coleções, que trabalham com estudantes locais, ou que assistem às atuações que têm lugar no nosso auditório. Quanto mais pudermos integrar as várias formas de arte, melhor, seja a música, as artes visuais, a dança, a poesia, a palavra escrita. Porque, como todos sabemos, as artes não são monolíticas, são bastante diversas e, quanto mais pudermos encontrar as ligações entre as artes, mais criativo, julgo eu, será o processo.

Em Kevork encontrámos um artista intelectualmente curioso, interessado em explorar os temas da migração e deslocamento, ou as ligações entre o passado e o presente. A sua expressão destas ideias foi acompanhada por mudanças no seu processo criativo, à medida que a sua arte gráfica começou a afastar-se do bidimensional para aquilo que podem ver hoje, que poderá ser descrito como uma escultura gráfica, em vez de uma simples impressão ou desenho.

Assim, é com grande prazer que apresento Kevork Mourad, que nos irá dar uma ideia da forma como cria a sua arte, porque a música é essencial no seu processo. E como já ouviram nos discursos anteriores, aquilo que é importante na sua obra é que com "Ver Através de Babel" ele explica os princípios da diversidade, e faz isso através das múltiplas linguagens que foram criadas através da Torre de Babel, e isto é algo que considero ser um tema importante nos dias de hoje. Então, sem mais delongas, Kevork Mourad.