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  • O Sistema Zanatany de Permacultura de Arroz integra árvores e arbustos nos campos para aumentar a produtividade das culturas e a biodiversidade e mitigar os efeitos das alterações climáticas.
    AKDN / Didier Van Bignoot
Fundação Aga Khan
SPEEDRICE: Permacultura de arroz simplificada em Madagáscar

Em Madagáscar, existem quatro milhões de pessoas com acesso insuficiente a alimentos.

O arroz é um alimento básico e a nação é um dos maiores consumidores de arroz per capita no mundo. Apesar de a produção anual de arroz atingir, em média, os quatro milhões de toneladas métricas, Madagáscar continua sem conseguir dar resposta à procura interna. A produção local de arroz (cerca de 2-3 toneladas métricas por hectare) não é suficiente para as necessidades a nível nacional, o que leva a uma estação de escassez complexa, à obrigação de importar grandes quantidades e ao aumento do consumo de arroz importado de baixa qualidade.

Em muitas regiões, as comunidades enfrentam outros problemas:

  • A pluviosidade é muitas vezes irregular ou tardia. Isto leva a uma perturbação nos períodos de preparação dos solos, o que tem repercussões tanto ao nível da sementeira como do transplante.
  • O aumento das temperaturas está a levar a uma diminuição na produtividade na ordem dos 15 a 20 por cento. A variação das temperaturas leva a uma maior incidência de pragas e doenças, resultando em perdas de qualidade e quantidade. Sem medidas de adaptação adequadas, os impactos das variações climáticas na produção e, consequentemente, no preço dos alimentos, são uma ameaça à já precária situação de segurança alimentar de Madagáscar.
  • A subnutrição é um fator dominante. Madagáscar tem a quarta maior taxa do mundo na prevalência de atraso no crescimento. Metade das 22 regiões de Madagáscar tem uma prevalência superior a 40 por cento e as regiões mais afetadas são as das terras altas (incluindo Analamanga e Itasy), onde a prevalência é superior a 60 por cento.
  • Os equipamentos e ferramentas são difíceis de obter. Os produtores malgaxes de arroz têm um acesso muito limitado a ferramentas básicas, mesmo as mais simples enxadas de mão, possuídas por apenas cerca de 14% dos pequenos agricultores. Deste modo, qualquer esforço no sentido de aumentar a produção através da exploração de uma maior área de cultivo torna-se quase impossível devido à falta de limitação da mão-de-obra.  

Com o apoio da Innocent Foundation – cuja missão passa por ajudar as famílias mais carenciadas a conseguirem alimentar-se – a Fundação Aga Khan (AKF) começou a implementar o projeto SPEEDRICE em 2019. Este projeto de três anos visa combater a fome e aumentar a segurança alimentar entre as famílias vulneráveis de Madagáscar, introduzindo um novo conjunto de técnicas de agricultura sustentável desenvolvidas pela AKF: o Sistema Zanatany de Permacultura de Arroz (ZRPS).

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A AKF irá dar formação a 20 000 pequenos agricultores acerca do Sistema Zanatany de Permacultura de Arroz, com a expetativa de que isto leve a um aumento de 50 por cento ou mais na produção de arroz.
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AKDN / Didier Van Bignoot

O ZRPS procura abordar as limitações inerentes a outros sistemas de intensificação da produção de arroz, como o Sistema de Intensificação de Arroz (SRI), que causas taxas muito altas de fricção. O ZRPS baseia-se em quatro pilares:

  1. Matérias-primas de fabrico próprio que resultam numa significativa redução de custos;
  2. Sementeira direta, levando a uma redução significativa da mão-de-obra (até 50 por cento) em conjunto com plantas maiores, mais saudáveis, mais resistentes à seca e com um amadurecimento antecipado;
  3. Rotação de culturas e plantações mistas, permitindo um cultivo de arroz mais prolongado ou mesmo ao longo de todo o ano;
  4. Aragem mínima ou inexistente possibilitada pela acumulação de coberturas orgânicas dos solos e a proteção de culturas para biomassa.

Os agricultores podem ir adotando gradualmente os pilares do ZRPS ao seu próprio ritmo e implementar o sistema numa maior variedade de topografias que o SRI. Ao reduzir a mão-de-obra – normalmente destinada às mulheres – e os requisitos hídricos, o ZRPS é simultaneamente sensível à questão de género e inteligente a nível climático. Desde a sua conceção inicial, o sistema tem apresentado resultados extremamente promissores ao nível da produtividade, ao mesmo tempo que passa por um processo contínuo de melhoria a partir de observações e experiências no terreno.

Através do SPEEDRICE, a AKF irá testar e adaptar o projeto ZRPS a várias zonas agro-ecológicas de Madagáscar, trabalhando nas cinco regiões de Sofia, Diana, Sava, Analamanga e Itasy. Irá formar 20 000 pequenos agricultores em ZRPS, esperando uma taxa de adoção de 30% e um aumento na produtividade de arroz na ordem dos 50% ou mais.