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  • Leila Kisubi e a equipa do Liceu Aga Khan de Kampala, no Uganda, partilham as suas experiências com outros estudantes no seguimento da sua vitória na competição 'O Teu Mundo' do British Council.
    Courtesy of the British Council Kampala, Uganda
Serviços Aga Khan para a Educação
Liceu Aga Khan de Kampala Vencedor Nacional da "Competição O Teu Mundo"

O Liceu Aga Khan de Kampala emergiu mais uma vez triunfante como o vencedor nacional da "Competição O Teu Mundo" (2018/2019), incluída no Programa de Artes da África Oriental do British Council, pelo seu vídeo 'Corpos Sãos, Mentes Sãs'.

A competição deu a quatro alunos empreendedores e socialmente conscientes do 11.º ano a oportunidade de chamar a atenção para um problema global, mas muitas vezes ignorado, que afeta milhões de pessoas -a ligação entre um corpo são e uma mentes sã.

Faryal Miru, Leila Kisubi, Suubi Byansi e Farhiya Hassan, que produziram o vídeo vencedor, contam a sua história:

Trabalhámos com os moradores das favelas de Kakajjo, uma comunidade socioeconomicamente desfavorecida localizada no coração de Kampala, no Uganda. É óbvio que o mundo está a ignorar os problemas decorrentes das carências alimentares e da falta de apoio prestada aos problemas de saúde mental predominantes nestas favelas. Ficámos a saber que os residentes de Kakajjo cozinham alimentos com óleo reutilizado e água suja, comprometendo a qualidade geral dos alimentos. Isto combinado com a falta de educação e de uma dieta equilibrada, culmina em desnutrição e falta de saneamento, afetando severamente a qualidade de vida. Ironicamente, os habitantes de Kakajjo consideram isto normal. As condições de pobreza e a falta de atenção por parte do governo e das organizações não-governamentais agravaram o crime, ameaçando consequentemente o ambiente e a cidade de Kampala como um todo.

“Só como uma refeição por dia porque tenho muito mais em que pensar para além da comida, tenho contas, renda e despesas diárias para pagar”, diz Bosco, um habitante local que vende chapati nas ruas sujas das favelas de Kakajjo. A sua situação deu-nos uma perceção de como é realmente a vida na favela e ajudou-nos a compreender que estas circunstâncias não se aplicam apenas a Bosco.

Tomámos a iniciativa de fazer aquilo que pudéssemos para fazer a diferença, ajudando os residentes de Kakajjo com alguns dos equipamentos necessários para iniciarem o seu caminho em direção a um estilo de vida saudável. Doámos material de papelaria para incentivar a criatividade das mentes mais jovens, farinha de milho com o objetivo de fornecer energia para as células do corpo, sabão antibacteriano para melhorar o saneamento e uma bola de futebol para incentivar a atividade física.

Não foi tudo rosas. Problemas como a barreira da língua e a falta de vontade dos residentes em partilhar as suas histórias impediram a nossa tentativa de obter mais informações sobre o passado das pessoas. No entanto, superámos estes desafios através de ajuda de um conhecido falante nativo que permitiu que os residentes de Kakajjo se sentissem mais à vontade a falar connosco acerca das suas experiências de vida.

O nosso principal objetivo era aumentar a consciencialização em todo o mundo para o vínculo entre a saúde física e mental. É nossa esperança vir a construir um ambiente sereno e ideal para as próximas gerações, mantendo um bem-estar cerebral e somático. O projeto ajudou-nos a compreender plenamente aquilo que tem de ser feito para atingir este objetivo de longo prazo de construir um corpo e uma mente saudáveis. Com a ajuda dos professores e da administração da escola, alcançámos o nosso objetivo principal; aumentar a consciencialização, a começar na nossa escola, passando para a comunidade e para o mundo em geral, através de um vídeo de 3 minutos.

Em retrospetiva, temos todos a noção de que a nossa simples missão de criar uma consciencialização foi apenas o começo e é necessário um esforço muito maior para oferecer soluções sustentáveis que permitam aos moradores da favela de Kakajjo alcançar um corpo e uma mente mais saudáveis e melhores.

Escrito por: Faryal Miru, Leila Kisubi, Suubi Byansi e Farhiya Hassan - 11.º ano

Este artigo foi publicado originalmente no site dos Serviços Aga Khan para a Educação.