Está aqui

Está aqui

  • English teacher, Mirwais Alamyar, with the father of three children registering at the Chaharqala learning unit, Kabul.
    AKDN / Abdul Hussain Abdali
Serviços Aga Khan para a Educação
Afeganistão: Aprendizagem a distância ao estilo afegão

A educação universal e de qualidade no Afeganistão são algo frágeis. Em 2019, estima-se que 3,7 milhões entre 10 milhões de crianças não frequentaram a escola. Um estudo recente do Banco Mundial dá conta de que apenas dois terços dos estudantes afegãos no quarto ano possuem competências de primeiro ano ao nível da língua e menos de metade domina o currículo de matemática do primeiro ano.

É gritante a necessidade de uma recuperação.

akes-afghanistan-ms._mesrinnoma_ulfat-r.jpg

Uma aluna de DPI a conversar com o professor por telefone.
Copyright: 
AKDN / Mesrinnoma Ulfat
Os Serviços Aga Khan para a Educação no Afeganistão (AKES, A) desempenham um papel fundamental no apoio e na complementação do sistema educacional do governo. Existem 25 000 pessoas envolvidas nos programas dos AKES de Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI) e os cursos de inglês, TIC, ciências e matemática após a escola. Estes programas preparam as crianças e jovens para a escola, apoiando-os para que sejam bem-sucedidos nos seus exames e abrem caminho para o ensino secundário, o emprego e o ensino superior.

A pandemia da COVID-19 pôs em causa este compromisso.

akes-afghanistan-by_abdul_samad_maqsudy_8.jpg

Um professor de TIC a ensinar os seus alunos por telefone.
Copyright: 
AKDN / Abdul Samad Maqsudy
As escolas do Afeganistão estão fechadas. Muito poucos estudantes têm acesso a computadores ou a uma ligação à internet que permita uma educação a distância. Na verdade, apenas um terço dos estudantes matriculados nos programas complementares de TIC dos AKES, A tem acesso a tecnologia em suas casas e este número é muito menor entre os estudantes de DPI, inglês, ciências e matemática. Ao contrário de muitos outros países, no Afeganistão uma mudança para a aprendizagem online não é a solução.

Por isso, foi criado o Projeto de Aprendizagem em Casa.

Em apenas duas semanas, os responsáveis pelos programas dos AKES, A definiram esquemas de autoaprendizagem para estudantes que incluíam recursos de leitura, folhas de cálculo, trabalhos e planos de estudo, e atividades domésticas para alunos do pré-escolar e para as suas famílias.

A ligação permanente entre professores e alunos foi fundamental para o sucesso do projeto. No Afeganistão, esta estabelece-se por telefone. A chamada telefónica de 15 a 30 minutos que os alunos recebem do seu professor todas as semanas inclui palavras de incentivo, apoio à aprendizagem, resolução de problemas, avaliação e fornecimento de informações.

Para tornar isto possível, os AKES, A estabeleceram uma parceria com a Roshan Telecommunications, uma empresa local, para financiar e distribuir 5350 cartões SIM por alunos e professores, com o intuito de permitir a comunicação regular com outros membros de “grupos fechados de utilizadores”.

Ramazan Khademi, gestor de programa nos AKES, A, descreve o Projeto de Aprendizagem em Casa: “A relevância do projeto reside na abordagem pedagógica adotada - nós invertemos a aprendizagem e o ensino. Os alunos terão uma maior responsabilidade pela sua aprendizagem, fazendo o que puderem de forma independente, para que, quando o professor lhes ligar para a sessão individual de tutoria, eles tenham tempo para fazer perguntas e desenvolver a sua compreensão acerca da matéria que estudaram em casa. Outra característica importante do projeto é a seleção cuidadosa de leituras contextualmente relevantes e alinhadas com o nível de conhecimentos de inglês de cada aluno - sendo ao mesmo tempo interessantes de ler. Os estudantes não irão apenas melhorar o seu inglês, como irão também experienciar a vida do ponto de vista de personagens de outras partes do mundo.”

Os líderes dos AKES, A são ambiciosos: planeiam chegar a mais de 6000 alunos com o Projeto de Aprendizagem em Casa, os cartões SIM e o acompanhamento por parte dos professores.

Para garantir o sucesso desta iniciativa, os professores e funcionários administrativos receberam formação através de cursos online e conversas telefónicas, tendo sido preparado um panfleto para ajudar os pais e os membros da comunidade a funcionarem como promotores e defensores da aprendizagem em casa, e desenvolvido um protocolo de chamadas telefónicas e uma tabela de expectativas de progressão dos alunos através dos módulos de aprendizagem baseados em planos de estudos pré-desenvolvidos.

Para além das aulas, estão também incluídas nos módulos de aprendizagem em casa importantes mensagens de higiene pessoal e proteção das crianças.

Desde o início de Maio, nas regiões de Baghlan, Badakhshan e Cabul, os funcionários da administração, respeitando os procedimentos de segurança, já começaram a inscrever os participantes e a distribuir os módulos de aprendizagem e os cartões SIM. Os professores também começaram o acompanhamento por telefone. Até à data, está registado um número impressionante de 2800 crianças e estudantes do ensino pré-primário, primário e secundário.

“Há três dias que estou a dar aulas por telefone. Os meus alunos gostam. O que realmente aprecio no Projeto é que posso enviar e receber perguntas por SMS”, disse Ali Murad Abid, professor de TIC.

Mesrinnoma Ulfat, professor de DPI, estava igualmente entusiasmado: “O nosso novo programa de aprendizagem em casa é ótimo. Neste programa, os professores podem ensinar e avaliar cada aluno individualmente. Estou a incentivar as crianças a tornarem-se mais responsáveis pela sua aprendizagem e a envolver também os pais na aprendizagem. Estou contente com este programa e acredito que é eficaz no desenvolvimento das crianças.”

Abdulrab Ahady, professor de ciências e matemática, reiterou: “Nesta situação, este Projeto é a melhor opção. Com 8000 minutos de chamadas telefónicas e 8000 SMS por mês, podemos ministrar de forma efetiva as aulas a distância. No entanto, temos de assegurar que existe um planeamento e acompanhamento adequados.”

Embora o Projeto de Aprendizagem em Casa e a sua abordagem sejam novos no Afeganistão, Hafizullah Momin, o Gestor Regional de Baghlan, considera que o projeto “está a ser implementado cuidadosamente com qualidade e irá funcionar bem”. Esta afirmação é apoiada pelo alto interesse já demonstrado pela comunidade e pelos alunos. Ewazullah Maliki, Gestor Regional de Cabul, concorda: “O Projeto parece bom a nível concetual e a receção por parte dos pais e alunos também tem sido muito boa nesta fase.”

O Projeto de Aprendizagem em Casa é uma ideia ambiciosa e não está isenta de desafios. A logística da distribuição, os problemas iniciais na criação dos grupos fechados de utilizadores e a gestão da aprendizagem em casas raramente configuradas para estudar vão levar algum tempo a serem trabalhados, mas os primeiros sinais mostram que os alunos e as suas famílias estão a aproveitar a oportunidade oferecida.

Sultan Sayeed Adeem, Gestor Regional de Badakhshan, resume esta iniciativa ao afirmar: “O compromisso e a participação da comunidade dão-nos esperança a todos de que o programa venha a ter sucesso no futuro e que acabe por ter um impacto positivo.”

Este artigo foi publicado pela primeira vez no site das Escolas Aga Khan.

 

Recentemente na AKDN

Em destaque
17 Setembro 2020
Ver
17 Setembro 2020
Ver
17 Setembro 2020
Ver