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  • Segundo a Organização Mundial da Saúde, surgem todos os anos cerca de 1,3 milhões de novos casos e 458.000 mortes relacionados com o cancro da mama. Para ajudar a contrariar esta tendência e a aumentar a consciencialização, entre outros fatores, o Hospital Aga Khan, em Dar es Salaam, oferece rastreios e exames gratuitos de cancro de mama aos residentes locais. Os acordos de subvenção hoje assinados irão ajudar a reduzir o ónus da morbidade e mortalidade relacionadas com o cancro na Tanzânia.
    AKDN / Lucas Cuervo Moura
Projeto contra o Cancro irá beneficiar 1,7 milhões de tanzanianos

O ónus da morbidade e mortalidade relacionadas com o cancro será reduzido na Tanzânia

Dar es Salaam, Tanzânia, 16 de Dezembro de 2019 - Para combater o aumento dos casos de cancro e para reforçar o atendimento oncológico de forma abrangente na Tanzânia, o Governo da Tanzânia, os Serviços Aga Khan para a Saúde (AKHS) e a Agência de Desenvolvimento Francesa (AFD) assinaram hoje o acordo de subvenção e memorandos de entendimento relativos a um projeto inovador de Parceria Público-Privada no valor de 38 mil milhões de xelins (aproximadamente 13,3 milhões de euros).

Com o aumento a nível global da prevalência de doenças não-transmissíveis, o cancro está a tornar-se um problema de saúde pública cada vez mais importante. A Tanzânia e outros países em desenvolvimento veem-se afetados pelo cancro de forma desproporcional, observando-se um aumento dramático de casos de cancro e da mortalidade relacionada.

O aumento dos casos de cancro coloca um enorme ónus sobre o Instituto Ocean Road de Oncologia (ORCI), em Dar es Salaam, que até 2014 era o único hospital oncológico público responsável por atender os 55 milhões de habitantes do país. Apesar da inclusão de serviços oncológicos no Centro Médico Bugando (BMC) em Mwanza, o número de casos de cancro, geralmente nas suas fases finais, continua a aumentar. São necessários investimentos significativos em cada componente da cadeia do tratamento oncológico, desde a prevenção, rastreio e deteção precoce, passando pelo diagnóstico e tratamento, assim como pelos cuidados paliativos e sobrevivência, para fortalecer a qualidade dos cuidados oncológicos na Tanzânia.

Para enfrentar os problemas encontrados no tratamento do cancro no país, o Projeto Global de Oncologia da Tanzânia (TCCP) teve como objetivo fortalecer e expandir a qualidade do acesso e a capacidade dos serviços de cuidados oncológicos através de uma iniciativa inovadora de parceria público-privada (PPP).

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O Sr. Frederic Clavier, Embaixador de França, e o Dr. Gijs Walvaren, Diretor dos Serviços para a Saúde da AKDN, cumprimentam-se após a assinatura do Contrato de Subvenção para o Projeto Global de Oncologia da Tanzânia.
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AKDN / Venance Nestory
Este projeto, financiado por uma subvenção de 10 milhões de euros da AFD e uma contribuição de 3,3 milhões de euros da Fundação Aga Khan, tem por base a longa história de cooperação bem-sucedida entre a AFD e os AKHS-T no sector da saúde na Tanzânia, incluindo a recente inauguração da ampliação do Hospital Aga Khan em Dar es Salaam, em 9 de Março de 2019.

Em nome do Convidado Principal, o Exmo. Ummy Mwalimu, Ministro da Saúde, Desenvolvimento Comunitário, Género, Terceira Idade e Infância do governo da Tanzânia, o Vice-Ministro Dr. Faustine Ndugulile disse: “Este projeto irá beneficiar diretamente cerca de 1,7 milhões de pessoas. O projeto irá desenvolver as capacidades dos profissionais de saúde e dos assistentes sociais comunitários em todas as instituições parceiras e nas comunidades participantes. A expansão do alcance dos serviços oncológicos através de programas de proximidade deverá resultar num aumento da procura por serviços de cuidados primários de saúde e em melhores mecanismos de referência para centros de cuidados secundários e terciários. O projeto também visa contribuir para o melhoramento dos conhecimentos, práticas e comportamentos em relação ao recurso a cuidados de saúde por parte dos grupos-alvo e das suas comunidades. A parceria público-privada não levará apenas a um aumento da probabilidade de obter um melhor acesso a serviços oncológicos de qualidade, mas também irá resultar na partilha de conhecimentos e na identificação de boas práticas através do estabelecimento de Memorandos de Entendimento e dos acordos de serviço hoje assinados”.

O Exmo. Dr. Faustine Ndugulile acrescentou: “Nos quatro anos deste projeto, o governo espera ver grandes impactos: chegar a pelo menos 60% da população do país através de campanhas de consciencialização nos vários canais de comunicação; e o aumento do acesso aos serviços de oncologia, desde a prevenção, rastreio, diagnóstico, tratamento até à sobrevivência, especialmente junto da população rural mais carenciada. Atualmente, apenas 10% dos pacientes com cancro no país chegam aos hospitais. Esperamos aumentar este número para pelo menos 20% até ao final do projeto, reduzindo assim a taxa de admissão em estágios avançados da doença. Hoje em dia, 75% dos pacientes com cancro são admitidos nos estágios tardios 3 e 4 da doença. Espera-se que este número seja inferior a 50% no final do projeto.

“O governo também espera aumentar a vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) e criar o primeiro laboratório de patologia molecular e digital do país que irá servir todo o país e oferecer uma melhor caracterização de tumores e tratamento personalizado; lançar a primeira unidade móvel de rastreio de cancro que se espera vir a servir diretamente pelo menos 1,7 milhões de clientes; formar e capacitar pelo menos 100 unidades comunitárias de saúde para oferecerem cuidados oncológicos básicos, incluindo triagem, diagnóstico, encaminhamento precoce, cuidados paliativos e sobrevivência, e formar 330 profissionais de saúde de cuidados terciários até aos de regime ambulatório, reduzindo assim os custos do tratamento através de um consórcio oncológico em colaboração com a MSD que terá capacidade de fazer compras em grupo e, deste modo, conseguir melhores preços/acordos para medicamentos anticancerígenos, reagentes patológicos e outros consumíveis, incluindo uma investigação e estatística colaborativa na área do cancro em conjunto com o Instituto Nacional de Investigação Médica (NIMR)".

O Dr. Harrison Chuwa, Consultor de Oncologia do Hospital Aga Khan e diretor do TCCP, disse: “O Projeto Global de Oncologia é um plano de quatro anos e é uma iniciativa de alta qualidade e baseada em evidências, projetada para reduzir o ónus da morbidade e mortalidade relacionadas com o cancro em duas regiões-alvo de Dar es Salaam e Mwanza, na Tanzânia. Isto será conseguido através de uma estratégia que se concentra num desempenho aprimorado e num aumento do alcance dos parceiros de implementação sedeados na Tanzânia, incluindo os Serviços Aga Khan para a Saúde da Tanzânia (AKHS-T), o Instituto Ocean Road de Oncologia (ORCI), o Hospital Nacional de Muhimbili (MNH), o Centro Médico Bugando (BMC), as secretarias regionais de Dar es Salaam e Mwanza sob a alçada dos gabinetes presidenciais dos governos regionais e locais (PO-RALG) e o Ministro da Saúde, Desenvolvimento Comunitário, Género, Terceira Idade e Infância (MoHCDGEC) com apoio técnico do Instituto Curie, em França, na prestação de toda a gama de serviços oncológicos nas duas regiões-alvo da Tanzânia”.

O Dr. Chuwa acrescentou que “o TCCP irá adaptar uma abordagem de fortalecimento do sistema de saúde, focada na liderança e na administração, em sistemas de informação em saúde, produtos e tecnologias médicas essenciais, recursos humanos, financiamento para a saúde, prestação de serviços e parcerias para garantir a abrangência do projeto. O desenvolvimento de uma parceria entre o governo e instituições privadas deverá contribuir para a criação de uma rede forte e integrada de cuidados oncológicos em regiões-alvo. As instituições parceiras têm uma longa presença em Dar es Salaam e Mwanza, com uma forte compreensão do fenómeno do cancro nas comunidades locais, incluindo o funcionamento e as necessidades dos sistemas de saúde locais. Os AKHS-T e os seus parceiros estão bem equipados para reforçar a prestação de cuidados oncológicos de qualidade e enfrentar os grandes desafios de saúde relacionados com o cancro na Tanzânia. Esta abordagem irá criar uma rede integrada de cuidados médicos ao nível local e hospitalar para acelerar o desempenho nos cuidados oncológicos e aumentar a cobertura a áreas carenciadas e grupos-alvo com baixos rendimentos.”

Referindo-se aos objetivos deste projeto, a Sra. Stéphanie Mouen, Diretora da Agência Francesa de Desenvolvimento para a Tanzânia, disse que “o TCCP é uma iniciativa inovadora de 38 mil milhões e visa reforçar os cuidados oncológicos globais na Tanzânia”. Ela acrescentou que este projeto irá ter compromissos sociais e financeiros muito fortes, os quais foram acordados com as agências implementadoras para criar um maior acesso por parte da população mais vulnerável. As contribuições sociais através da subsidiação dos cuidados médicos irá permitir que os pacientes oncológicos carenciados e os portadores do Seguro Nacional de Saúde do NHIF recebam apoio em diferentes programas médicos de oncologia, tanto de nível primário como de nível terciário.

A contribuição financeira da Fundação Aga Khan destina-se à supervisão e gestão do projeto e à capacitação dos funcionários, em todas as instituições, em todo o espectro dos cuidados oncológicos (em colaboração com várias instituições francesas e internacionais de formação de referência, como o Instituto Curie). Ela ressaltou ainda: “estes compromissos foram decisivos na decisão da AFD de participar efetivamente no financiamento do projeto. Eles estão alinhados com os objetivos pretendidos pela AFD de garantir a concretização de projetos como este, que visam maximizar o impacto desejado junto das populações-alvo”.

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O Professor Lawrence Museru, Diretor Executivo do Hospital Nacional Muhimbili e o Sr. Sisawo Konteh, Diretor de Operações dos Serviços Aga Khan para a Saúde na Tanzânia, cumprimentam-se após a assinatura dos Memorandos de Entendimento do Projeto Global de Oncologia da Tanzânia.
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AKDN / Benazir Karim

Para mais informações:

Olayce S. Lotha
olayce.lotha@akhst.org
+255 717 516 650

Sra. Bérénice OREYO-PIERRONNET
oreyopierronnetb@afd.fr
+255 683 68 19 88/ +255 769 18 45 02