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  • A conferência de três dias em Karachi contou com a presença de mais de 200 académicos, decisores políticos, especialistas e profissionais de DPI de 26 países de todo o mundo.
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'Fome escondida' em mais de metade das crianças paquistanesas

Karachi, Paquistão, 25 de Outubro de 2019 - A alarmante prevalência de deficiências ao nível das vitaminas e minerais em crianças de todo o país está a comprometer a capacidade do Paquistão de atingir o seu potencial de desenvolvimento, segundo os oradores da Conferência sobre Nutrição e Desenvolvimento Humano na Infância na Universidade Aga Khan.

As vitaminas e minerais, ou micronutrientes, são componentes vitais para uma boa nutrição e saúde, e promovem o desenvolvimento físico e intelectual de muitas maneiras importantes.

A carência de ferro, vitamina A ou vitamina D é frequentemente designada como "fome escondida", uma vez que os sintomas não são visíveis como em outras formas de subnutrição, como a atrofia muscular e a perda de preso. Mas a carência destes micronutrientes essenciais pode ter sérias repercussões ao longo da vida, incluindo atraso no crescimento, um sistema imunitário deficiente, fadiga frequente e um mau desempenho escolar.

Mais de seis em cada dez crianças (62,7%) em todo o país apresentam carência de vitamina D, ao passo que mais de metade das crianças com menos de 5 anos (53,7%) sofre de anemia ou falta de vitamina A (51,5%), de acordo com o Estudo Nacional de Nutrição (NNS) de 2018.

Estes défices nutricionais estão presentes em todos os estratos socioeconómicos e são percetíveis nas zonas mais abastadas do país.

"A pobreza não é a única causa para o problema da subnutrição no Paquistão, pois é possível observar um défice ao nível das vitaminas e minerais essenciais nas famílias mais ricas", disse o professor Zulfiqar A. Bhutta, diretor e fundador do Centro de Excelência em Saúde Materno-Infantil da Universidade Aga Khan.

“Os nossos problemas nutricionais não são apenas da responsabilidade do ministério da saúde. A subnutrição afeta os índices de educação e igualdade de género, assim como a nossa capacidade de lidar com as desigualdades sociais. É por isso que precisamos de soluções que abranjam sectores como a agricultura, educação, água potável e saneamento, que envolvam de forma ativa os pais e as comunidades.”

O NNS de 2018 mostra que o país enfrenta um triplo problema de subnutrição, com as carências em micronutrientes, a desnutrição e a obesidade a coexistirem na população do Paquistão. Na sua apresentação, o professor Bhutta observou que o Paquistão tem programas de longa duração de fortalecimento do óleo de cozinha, a manteiga e o trigo com vitaminas. Apesar destes programas, os níveis de carência de vitamina A e D e uma grave carência de iodo têm vindo a aumentar desde o último estudo em 2011.

O NNS revela que apenas uma em cada sete crianças entre os 6 e os 23 meses obtém refeições com uma diversidade alimentar mínima, incluindo quatro grupos alimentares. Além disso, menos de uma em cada 20 crianças (3,6%) recebe os alimentos complementares que assegurariam um crescimento ideal. Os especialistas referiram que o país carece de uma estratégia alimentar complementar e instou o governo a criar um grupo de trabalho multissectorial para liderar os esforços nesta área.

Os oradores fizeram notar que as trabalhadoras do sector da saúde poderiam ser solicitadas a realçar a importância dos minerais-chave no crescimento infantil, tendo também sugerido sessões de consciencialização nutricional direcionadas às crianças do ensino primário. Os programas de consciencialização em saúde devem continuar a reforçar a importância da amamentação. De acordo com o NNS de 2018, uma em cada cinco crianças em todo o país não é amamentada e apenas 56% são amamentadas até à idade recomendada pela Organização Mundial de Saúde, que é os dois anos.

Os oradores da conferência de três dias observaram a importância da nutrição e da saúde no desenvolvimento da primeira infância, a permitir que as crianças atinjam o seu potencial físico, emocional e cognitivo.

Acrescentaram ainda que a adoção de uma abordagem integrada ao DPI terá um efeito multiplicador que pode ajudar a alcançar os 7 objetivos de desenvolvimento sustentável, como sejam o Fim da Pobreza, Fome Zero, Boa Saúde e Bem-Estar, Educação de Qualidade, Igualdade de Género, Água Potável e Saneamento e Desigualdades Reduzidas.

A conferência de três dias em Karachi contou com a presença de mais de 200 académicos, decisores políticos, especialistas e profissionais de DPI de 26 países de todo o mundo.