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  • No Centro Médico Aga Khan, em Gilgit (Paquistão), Tai Bano, enfermeira de saúde comunitária e ex-aluna da AKU, cuida de um recém-nascido na Unidade Neonatal.
    AKDN / Aga Khan Health Services, Pakistan
Tai Bano: Uma enfermeira de saúde comunitária que trabalha para ser um agente de mudança

Tai Bano nasceu e cresceu em Thingdass, Punial, no distrito de Ghizer, em Gilgit-Baltistão. Tai estudou na Escola Secundária Feminina do Jubileu de Diamante em Singal, tendo-se mudado para Karachi para ingressar no ensino superior. Depois de concluir o programa de obstetrícia no Hospital Aga Khan para Mulheres em Karimabad, em 2005, e subsequentemente o programa geral de enfermagem no Hospital Indus, em 2010, voltou a Gilgit-Baltistão para servir como enfermeira de saúde comunitária.

Tai foi inicialmente colocada numa unidade de cuidados de saúde primários dos Serviços Aga Khan para a Saúde (AKHS) em Chipurson, um vale remoto no Distrito de Hunza, mas não demorou muito a aceitar outro cargo na rede AKHS na sua cidade natal no Centro Médico de Singal. 

“Em Julho de 2012, ofereceram-me emprego no Centro Médico de Singal (SMC) como enfermeira de saúde comunitária. Era uma ótima oportunidade de servir a comunidade da minha cidade natal, e por isso aceitei a oferta. As minhas tarefas diárias incluíam trabalhar na Sala de Parto, na Ala Pediátrica, na Sala das Urgências e as tarefas normais de uma enfermaria, isto em diferente turnos diurnos e noturnos.”

Em 2016, Tai teve a oportunidade de desenvolver os seus estudos e credenciais na Escola de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Aga Khan (AKU-SONAM) em Karachi.  

 “A minha principal motivação para me inscrever neste programa foi a alta taxa de mortalidade neonatal e materna no Paquistão. O meu objetivo passava por ser capaz de providenciar serviços neonatais e maternos essenciais às comunidades carenciadas em áreas remotas de Gilgit-Baltistão. Para além disto, também estava interessada em aprender as mais recentes e atualizadas diretrizes clínicas e as melhores práticas a nível global da OMS, NICE, Cochrane, RCOG e outras, e formar parteiras à luz destas."

Por esta altura, Tai já tinha constituído família, incluindo uma filha com dois anos e meio. A perspetiva de se mudar para Karachi passou a ficar um pouco mais complexa.

“Inicialmente, pensei que não seria possível mudar-me com a minha família... Onde iriamos morar? Como iriamos fazer a nossa vida? Como é que eu iria dividir o tempo entre a minha família e o curso?”

“Com todas estas perguntas em mente, decidi arriscar. Não foi fácil, mas com o apoio da minha família, consegui não só concluir o meu curso, como me licenciei com louvores. Em retrospetiva, todos estes desafios fortaleceram a minha autoconfiança e provaram ser uma lição inestimável para a gestão de uma rotina desafiante e de prazos competitivos. Em suma, esta jornada foi exatamente aquilo que eu precisava."

Tai formou-se na AKU em Novembro de 2018 com um Bacharelato em Obstetrícia (BScM). Hoje, trabalha como enfermeira de saúde comunitária no Centro Médico Aga Khan, em Gilgit, e afirma que a exposição a que esteve sujeita na AKU tem-na ajudado no seu cargo atual. 

“Inicialmente, quando decidi inscrever-me no programa de Bacharelato em Obstetrícia (BScM), assumi que seria uma tarefa simples, mas quando comecei o curso, percebi que o programa adotava uma abordagem holística em relação à obstetrícia, e que incluía também conteúdo de outras áreas. O ambiente e o currículo deste programa foram muito bem desenvolvidos, o que me levou a aprender sobre trabalho de investigação, ciências, práticas baseadas em evidências, tendo também sido exposta a diferentes práticas clínicas, as quais uso hoje em dia no meu trabalho quotidiano."

Para o futuro, Tai, enquanto parteira qualificada, deseja não só crescer no seu próprio cargo, mas também tornar-se um agente de mudança, especialmente na melhoria dos indicadores de saúde neonatal e materna no Paquistão.