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  • Sarah Keshvani, na imagem, licenciou-se na Academia Aga Khan em Hyderabad em 2018 e atualmente estuda na Universidade de Vitória, no Canadá.
    Sarah Keshvani
Sarah Keshvani: utilizar a biologia para enfrentar os desafios ambientais

Sarah Keshvani, aluna da Academia Aga Khan está no primeiro ano na Universidade de Vitória, no Canadá, com uma bolsa de estudos integral, ao abrigo da parceria de longa data entre as Academias e a universidade. Pretende tirar a licenciatura em ciências biológicas, com especialização em neurociência, cinesiologia ou na bioquímica.  

A paixão de Sarah pela ciência surgiu durante o Programa de Diploma na Academia Aga Khan em Hyderabad. Através do seu trabalho de investigação, encontrou a oportunidade de saber melhor como a Biologia pode fornecer soluções para os atuais desafios enfrentados pelas comunidades locais. Decidiu dar resposta ao problema da escassez de água e das deficiências dos nutrientes do solo que afetam o cultivo de arroz em grande escala no Estado de Telangana, na Índia, e que resultam numa redução do rendimento das colheitas. Devido à falta de zinco no solo, os agricultores recorrem a grandes quantidades de fertilizantes, que deterioram ainda mais a qualidade do solo.

Sarah centrou-se na hidroponia como possível solução para o problema. As plantas são cultivadas em soluções de nutrientes, à base de água, em vez de solo. “Esta técnica atraiu recentemente muita atenção porque as experiências provaram que o crescimento aumentou mais do dobro em comparação com os métodos tradicionais agrícolas”, explica Sarah. “A absorção dos nutrientes é mais eficiente e os agricultores podem controlar o tipo de nutrientes a que as plantas estão expostas, para reforçar as várias características das colheitas. A utilização de água na hidroponia é muito mais eficiente do que a utilizada em arrozais, que têm de estar cobertos de água durante determinados períodos do ciclo de cultivo”.

 “Concebi o meu sistema de hidroponia semi-fechado com base na técnica de aquacultura em profundidade”, afirma Sarah. “Em vez de adquirir uma solução de nutrientes, criei a minha própria. Queria observar e analisar especificamente o efeito da absorção de zinco na saúde geral das plantas. Por isso, utilizei quatro concentrações diferentes de zinco e para o quinto conjunto de plantas, não acrescentei zinco. Os dados foram registados durante três semanas. O efeito do zinco foi analisado através de cinco variáveis: curta duração, relação raiz:rebento, concentração de clorofila, biomassa e percentagem relativa de teor de água. O objetivo era descobrir uma concentração ótima de zinco a partir dessas quatro concentrações diferentes”.

As conclusões de Sarah foram positivas. Registou-se um rápido crescimento e a flexibilidade de controlar a absorção de nutrientes foi muito importante para a saúde das plantas. Teve noção que um sistema fechado teria fornecido resultados mais rigorosos, uma vez que as taxas de evaporação mais elevadas afetavam os níveis de pH. No geral, porém, deduziu que esta técnica poderia lidar certamente com os problemas enfrentados pelos agricultores dos arrozais.  

O trabalho de Sarah com hidroponia foi crucial para garantir-lhe o lugar de assistente de investigação em biologia molecular na universidade. As suas tarefas incluem o apoio a professores e doutorandos nas suas investigações, manutenção básica de laboratórios e manutenção de stock, preparação de meios de cultura bacteriana e de plantas, amostras de plantas e soluções para análise. Tem também a oportunidade de trabalhar com alunos de pós-graduação e de doutoramento em experiências que envolvem isolamento do ácido nucleico, amplificação e clonagem.

“O programa de BI lecionado na Academia Aga Khan tem desempenhado um papel fundamental na criação de muitas capacidades essenciais para a vida universitária”, afirma Sarah, quando lhe perguntam como foi a adaptação a esta nova fase. “A ênfase na integridade e independência académicas foram muito importantes aqui. Fui educada para pensar de maneira crítica em vez de seguir cegamente os manuais escolares. A aprendizagem baseada em competências e a ligação da aprendizagem na sala de aulas ao mundo rela, também preparou-me bem para o ensino superior”.