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  • Hoje em dia, sob a supervisão de Nick, a exploração agrícola de Changarawe, com 16 hectares, produz pimentão-doce, pimento verde, vermelho e amarelo, tomate e melancia.
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Nick Mlowe: Impulsionando o progresso dos agricultores mais pobres de Mtwara

Em 2017, as intervenções da Fundação Aga Khan (AKF) na gestão das atividades agrícolas de subsistência e dos recursos naturais beneficiaram mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Na Tanzânia, um funcionário da AKF reuniu-se com um desses agricultores para ficar a conhecer o modo como este está a trabalhar com pequenos agricultores locais para criar um modelo agrícola no qual todos saiam beneficiados.

Nickson “Nick” Mlowe, um agricultor tanzaniano de 26 anos, de Mtwara, é um homem muito ocupado. Pode estar num dado momento a lavrar os campos, e a seguir, estar a reparar equipamentos agrícolas. Uma melodia fraturada de ordens vociferadas ecoa desde a estrada de terra enquanto nos aventuramos na sua propriedade. À medida que íamos avançando, ia-se tornando claro que a nossa presença estava a perturbar uma máquina perfeitamente funcional, embora maravilhosamente caótica. Ainda assim, Nick recebe-nos calorosamente e conduz-nos a um vão de quatro degraus que levam a um edifício adjacente. Olho em volta, a imaginar porque parámos aqui, quando o meu guia me esclarece com um sorriso irónico, "Este é o nosso escritório local. Sentem-se!"

Nick é o gestor da exploração agrícola de Changarawe, uma exploração agrícola com cerca de 16 hectares. Ele chegou a Changarawe através da Universidade de Agricultura de Sokoine, em Morogoro, a cerca de 200 quilómetros de Dar es Salaam. Hoje, sob a supervisão de Nick, Changarawe produz pimentão-doce, pimento verde, vermelho e amarelo, tomate e melancia.

Há uns anos, Nick e Changarawe enfrentaram grandes desafios na produção do pimento vermelho, para o qual existe uma crescente procura na Tanzânia. À época, Nick estimou que Changarawe tinha uma produção de cerca de mil quilos de pimento por mês. O acesso limitado aos mercados significava que aproximadamente 30% da colheita estava a perder-se devido ao apodrecimento - uma perda monetária de cerca de 450.000 xelins tanzanianos (cerca de 170 euros) por cada tipo de pimento por mês. Outro desafio prendeu-se com a falta de conhecimento técnico entre os funcionários das explorações agrícolas, particularmente na área da gestão das estufas - um elemento crucial para o sucesso do cultivo do pimento.

Como parte do seu Projeto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor de Alimentos financiado pela GIZ, a Fundação Aga Khan associou Nick a Ramosh, um comprador de Dar es Salaam. Hoje, como resultado disso, a exploração agrícola é capaz de transportar os seus produtos para o mercado muito mais rapidamente. Impressionado com a qualidade dos produtos da Changarawe, Ramosh compra atualmente à exploração agrícola uma tonelada de pimento por semana, e manifestou interesse em comprar abóbora, beterraba, melão, pepino inglês e beringela.

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A AKF está atualmente a desenvolver um processo que garanta uma vasta participação por parte dos pequenos agricultores. O objetivo passa por fazer com que as explorações agrícolas como Changarawe se tornem motores da economia local e catalisadores de um crescimento significativo na produção, no emprego local e nos rendimentos dos pequenos agricultores.
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As cinco estufas de Changarawe estão hoje na sua capacidade máxima e, com o apoio da Fundação, Nick estabeleceu parcerias com pequenos agricultores das redondezas para dar resposta a esta procura crescente. Se Changarawe for capaz de produzir todos esses produtos em grande escala, Ramosh indicou que irá adquirir todos os seus produtos na exploração agrícola de Nick.

Para além de associar a oferta à procura, a AKF e o governo do distrito estão empenhados em garantir que a transferência de conhecimento acerca das melhores práticas de agricultura e distribuição é divulgada. Não só os pequenos agricultores ajudam Nick a cumprir a sua quota, como os agricultores da região vêm a Changarawe para receber formação. O modelo imaginado pela comunidade é um no qual os pequenos agricultores locais vendem à Changarawe, que por sua vez vende a Ramosh. A AKF está atualmente a desenvolver um processo que garanta uma vasta participação por parte dos pequenos agricultores. O objetivo passa por fazer com que as explorações agrícolas como Changarawe se tornem motores da economia local que catalisem um crescimento significativo na produção, no emprego local e nos rendimentos dos pequenos agricultores.

A determinação de Nick torna-se contagiante enquanto conversamos - o seu desejo inabalável de seguir em frente é um exemplo do seu espírito empreendedor. 

Existe um provérbio africano que se ouve muito em Changarawe: “Se quiseres ir rápido, vai sozinho. Se quiseres ir longe, vai com outros." A exploração agrícola vê-se não só como um negócio promissor, mas também como a pulsação de um distrito e um motor económico que dá vida aos corações e aos lares dos pequenos agricultores e trabalhadores. A criação de valor partilhado significa que o progresso de Changarawe é o progresso de todos. O seu crescimento é inclusivo. Num mundo no qual a maioria dos mais carenciados são pequenos agricultores, este modelo oferece a esperança de uma melhor qualidade de vida para os agricultores mais pobres de Mtwara. Changarawe e os seus pequenos agricultores podem ir longe juntos.

O apoio a Nickson é implementado no âmbito do Projeto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor Alimentar (Kilimo ni Biashara), um projeto de 3 anos incluído no programa GIZ E4D/ SOGA e financiado pela UKAID, Norad, LNG Plant Project, e pelo Governo Alemão. O projeto cria e promove oportunidades económicas para que pequenos agricultores e empresas produzam, processem e forneçam alimentos para mercados externos, com foco na indústria dos recursos naturais.

Este artigo foi originalmente publicado no site da AKF UK.