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  • A Sra. Martinique a cozinhar na sua cozinha abastecida com biogás, e livre de fumos prejudiciais.
    AKDN / Lucas Cuervo Moura
Martinique Boeny: Biogás em Madagáscar

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, a autoridade global sobre o estado do mundo natural e as medidas necessárias para protegê-lo, são destruídos todos os anos 13 milhões de hectares de florestas devido às necessidades agrícolas, industriais e domésticas do Homem. Estamos a perder cerca de 200 quilómetros quadrados de floresta todos os dias. Através da absorção da água e da manutenção do solo no seu lugar, as florestas reduzem o risco de inundações e deslizamentos de terra que resultam de desastres naturais, como terramotos e furacões. Em zonas rurais carenciadas, nas quais as populações dependem da queima de lenha para cozinhar e aquecer as suas casas, a rápida redução da cobertura florestal está a fazer aumentar junto das comunidades o risco de desastres e de prejuízos a criar um círculo vicioso de pobreza.

Em Abril de 2018, visitámos um programa-piloto em Diana, Madagáscar, em que a Fundação Aga Khan (AKF) estava a introduzir o biogás como um combustível para cozinhar alternativo à lenha. Usar um biodigestor - colocar estrume de vaca numa das extremidades e obter gás de cozinha inodoro na outra - protege o ambiente contra a desflorestação, uma vez que é capaz de economizar até 5 quilos de lenha ou 8 quilos de carbono fóssil por dia. O uso do gás para cozinhar no fogão também reduz o fumo dentro de casa, que muitas vezes é a causa de doenças respiratórias em famílias pobres e rurais. Por fim, o tempo que se gastava anteriormente a cortar, secar e preparar a lenha fica agora disponível para atividades geradoras de rendimentos.

Martinique Boeny foi escolhida para o projeto-piloto por ser proprietária de gado suficiente para alimentar um biodigestor com as suas fezes. Assim, ela forneceu o cimento e os restantes materiais necessários para construir o biodigestor, e a AKF ensinou-a a construí-lo. Durante a nossa visita, a Sra. Martinique mostrou-nos que o gado era alimentado com erva de bano para aumentar a produção de dejetos (uma técnica ensinada pela AKF), que são depois transferidos para um biodigestor e aí fermentados, gerando biogás que vai pelos canos até à cozinha da Sra. Martinique, abastecendo a panela de cozer arroz e o forno a gás fornecidos pelo programa.

Conversámos recentemente com a Sra. Martinique para ver se o biodigestor estava a dar bons resultados. Ela disse-nos que desde que começou a usá-lo não voltou a gastar dinheiro em carvão ou lenha. Isso faz com que consiga poupar 40.000 ariaris (10 dólares) por mês, quantia que tem depositado no seu grupo de poupança comunitária. Quando for feito o pagamento anual por parte do grupo de poupança, ela planeia usar o dinheiro para comprar um zebu fêmea para a reprodução de gado. A Sra. Martinique também referiu que, desde que utiliza o biogás, tem mais tempo para fazer outras coisas. Já não há necessidade de apanhar lenha, uma tarefa que pode ser muito demorada. Para além disso, ao cozinhar com gás, ela é capaz de cozinhar, limpar e fazer outras tarefas domésticas ao mesmo tempo, ficando com o resto do dia para cuidar dos animais e das hortas.

O programa da AKF em Madagáscar, apoiado pela cooperação entre a União Europeia e a Comissão do Oceano Índico (UE-COI), já instalou 64 biodigestores e planeia ter até 120 em funcionamento na Região de Diana até ao final de 2019.

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Decomposing cow excrement in the biodigester causes it to ferment and produce biogas to fuel Mrs Martinique’s kitchen appliances, eliminating the need to burn firewood.
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AKDN / Lucas Cuervo Moura