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  • “Abri o primeiro negócio pelos meus filhos, mas comprei esta loja por mim própria”, afirma. No Tajiquistão, as mulheres empresárias enfrentam uma série de desafios adicionais e barreiras particulares ao sucesso, em comparação com os empresários do sexo masculino.
    AKDN
Makhfirat Abdullaeva: mãe e médica tajique tornou-se empresária

Desde que se lembra que Makhfirat Abdullaeva sempre sonhou em ajudar as pessoas. Mas a vida de médica em Khujand, Tajiquistão, uma cidade pequena e agitada e uma das mais antigas da Ásia Central, traduzia-se em dias penosamente longos, equipamentos médicos desatualizados, falta de recursos humanos e, principalmente, salários extremamente baixos. Como mãe de dois filhos e esposa de outro médico, Makhfirat deu por si com dificuldades em sustentar a sua família.

De Médica a Empresária: Um Novo Começo

Em 2000, Makhfirat descobriu um programa de inclusão financeira perto de sua casa que oferecia formação em competências empresariais a mulheres que tivessem a ponderar tornar-se empresárias.

Foi aí que ficou a conhecer o First Microfinance Bank, que lhe abriu os olhos para uma oportunidade de uma melhor qualidade de vida. Depois de 20 anos a trabalhar no sector público, disse adeus à sua vida como médica, solicitou o seu primeiro empréstimo no valor de 20 mil dólares e abriu um negócio de venda de tecidos numa banca alugada no centro da cidade. 

Como resultado desta mudança de carreira, Makhfirat não demorou a triplicar os seus rendimentos face aquilo que ganhava como médica, permitindo-lhe investir mais nos seus dois filhos, e tornando-se o principal ganha-pão da sua família.

Expandir o Negócio

Treze anos depois, o negócio estava a correr otimamente e Makhfirat estava ansiosa por fazer mais. Ao reconhecer a necessidade de um local onde os seus vizinhos pudessem ter um acesso rápido e fácil a produtos alimentares básicos, Makhfirat solicitou outro empréstimo e comprou uma loja vazia na esquina da sua rua. Tendo de gerir ambos os negócios em paralelo, contratou a sua nora e três mulheres da comunidade que estavam desempregadas e a precisar de um salário. Makhfirat não só estava a ajudar a sua família e comunidade, como se sentia capacitada enquanto empresária.

 “Abri o primeiro negócio pelos meus filhos, mas comprei esta loja por mim própria”, afirma. No Tajiquistão, as mulheres empresárias enfrentam uma série de desafios adicionais e barreiras particulares ao sucesso, em comparação com os empresários do sexo masculino.

No entanto, os estudos mostram que o aumento da participação económica e o controlo sobre ativos financeiros por parte das mulheres leva a um aumento nos benefícios sociais e a uma redução na pobreza e nas desigualdades nas famílias e nas comunidades.

Quando as Mulheres Estão Melhor, Todos Estão Melhor

Hoje em dia, o filho mais velho de Makhfirat é programador informático nos EUA, com um diploma universitário obtido no Colorado. O seu filho mais novo formou-se numa faculdade americana em Bisqueque, na República do Quirguistão, e é gestor para a Ásia Central de uma empresa internacional de construção. Ambos os filhos estão casados e com filhos, e aproveitaram ao máximo as oportunidades oferecidas pela ambição da sua mãe em dar-lhes uma vida melhor. Makhfirat é hoje uma das mais conhecidas retalhistas da cidade e viaja com frequência para a China, Índia, Uzbequistão e República do Quirguistão para importar tecidos. Os lucros do seu negócio foram largamente investidos na sua comunidade, e nos seus filhos e netos.

"Sou uma empresária", afirma. “Tenho os meus filhos e os meus netos, e graças ao meu negócio, consegui investir neles." Eles estão a trabalhar e têm a vida deles, mas continuamos a ser uma família. Não me arrependo de ter deixado a minha vida como médica e estou muito grata aos serviços bancários que me proporcionaram esta oportunidade.”

Este artigo foi adaptado de um artigo originalmente publicado no site da Fundação Aga Khan EUA. O original pode ser lido aqui.