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  • Quando Mtani Chilindi começou os seus estudos de enfermagem em 1990, os únicos homens que conhecia na área médica eram médicos, farmacêuticos e técnicos de laboratório. Hoje, ele é um exemplo para os homens mais jovens, fazendo o seu papel duplo enquanto Enfermeiro Anestesista supervisor no Hospital Mbagala Rangi Tatu e enquanto fundador da Mtani Dispensaries and Investments, uma empresa com mais de 200 funcionários que oferece assistência médica acessível nas áreas rurais mais carenciadas da Tanzânia: “Hoje em dia consigo fazer avançar a profissão de enfermagem ao empregar também enfermeiros!".
    AKU
Eunice Ndirangu: Enfermeiros e parteiras que causam impacto e transformam vidas

Por Dra. Eunice Ndirangu, Diretora Interina da Escola de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Aga Khan na África Oriental

O Banco Mundial estima que, globalmente, existam mais de mil milhões de pessoas sem cuidados médicos acessíveis, com uma grande percentagem destas pessoas a morar na África subsaariana. Em muitas áreas da África Oriental, os enfermeiros e parteiras constituem quase 85% da força de trabalho em saúde e são o primeiro e mais próximo ponto de assistência ao paciente.

Há quase duas décadas que a Escola de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Aga Khan na África Oriental (AKU-SONAM EA) se vem dedicando a formar e educar enfermeiros e parteiras na região. Temos disponibilizado consistentemente programas de alta qualidade aos nossos alunos, com o objetivo geral de criar um enorme efeito cascata de impacto positivo em todo o panorama de cuidados médicos na África Oriental - desde as comunidades locais aos ministérios do governo.

Os nossos programas são constantemente avaliados para garantir a sua relevância no contexto de saúde em constante mudança na região. Em Zanzibar, menos de 10% de todas as unidades de saúde oferecem cuidados obstétricos e neonatais de emergência. Com números como estes, o impacto e a necessidade de cada enfermeiro e parteira torna-se cada vez mais crucial. Por esta razão, os nossos programas para trabalhadores-estudantes permitem que os estudantes continuem empregados como enfermeiros e parteiras em serviço durante os estudos. O seu impacto é contínuo e, posteriormente, após a licenciatura, a grande maioria dos ex-alunos (mais de 90%) permanece nas suas comunidades, preenchendo as lacunas mencionadas anteriormente ao nível dos serviços.

Quando os ex-alunos permanecem nas suas comunidades após a licenciatura, o seu impacto é sentido desde a unidade familiar à esfera política, uma vez que estão extraordinariamente qualificados para reconhecer as questões sistémicas e conseguir abordá-las de forma adequada. Por exemplo, a ex-aluna da AKU-SONAM EA, Rose Kiwanuka, percebeu que aqueles que sofrem de doenças limitadoras do dia-a-dia ficavam muitas vezes à margem da assistência médica, e decidiu fazer algo a esse respeito. A sua atenção para com os pacientes que estão em fase terminal levou-a a tornar-se a primeira enfermeira de cuidados paliativos no Uganda, e a criar a Associação de Cuidados Paliativos do Uganda. E tal como Rose, Mtani Chilindi (na foto) identificou uma falha nos cuidados médicos encontrou uma solução. Ele reconheceu a necessidade de cuidados de saúde a preços acessíveis nas áreas rurais, e hoje a sua empresa, a Mtani Dispensaries and Investments, emprega mais de 200 pessoas e serve as populações das áreas mais carenciadas da Tanzânia. Mtani encontrou uma maneira de tirar benefícios para si, para a sua família, para os enfermeiros que emprega, para as comunidades que eles servem e, por extensão, para o seu país. Os dois ex-alunos fizeram a sua formação e procuraram aprofundá-la. Eles tinham a confiança, a inovação e a determinação para identificar os dilemas nos cuidados de saúde das suas próprias comunidades e tomar medidas para resolvê-los.

Os enfermeiros e parteiras servem as suas comunidades e os seus países a todos os níveis. Eles tratam e defendem os seus pacientes com uma grande proximidade, tanto nas unidades de saúde como nas suas próprias casas. Eles são líderes e inovadores que procuram soluções para problemas complexos e quotidianos, ao mesmo tempo que defendem cuidados respeitoso para os seus pacientes.

E assim, ao nos unirmos às comunidades globais este mês para reconhecer e celebrar as contribuições de enfermeiros e parteiras, sentimos um grande privilégio por fazermos o trabalho que fazemos com as pessoas com quem o fazemos. Estamos imensamente agradecidos aos nossos parceiros e doadores que continuam a apoiar este importante trabalho, assim como aos nossos alunos e ex-alunos, pois as formas como eles servem as suas comunidades não são nada menos do que inspiradoras. Eles não nos deixam esquecer que o uso da compaixão, da humildade e da força na vida quotidiana pode provocar um impacto duradouro. Ficamos com renovada sensação de esperança e um apreço pelo nosso trabalho. A todas os enfermeiros e parteiras - obrigada por tudo aquilo que fazem!