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  • Em 2013, Deborah investiu todas as suas economias na criação da Creche Divine, uma escola que oferece serviços de aprendizagem de qualidade para todas as crianças, independentemente do seu estado de saúde ou condição social.
    AKDN / Christopher Wilton-Steer
Deborah Gitta: Mudar atitudes, mudar vidas

Todos os dias, Deborah Gitta é recebida com risos de entusiasmo e abraços à altura dos joelhos quando entra no seu local de trabalho. Este é o mundo com que sempre sonhou - crianças saudáveis e felizes envolvidas ativamente na sua aprendizagem. Deborah é a Fundadora e Diretora da Creche e Berçário 'Divine', localizado em Kajjansi, nos arredores de Kampala.

Durante a sua infância em Gayaza, desde muito cedo que Deborah imaginou uma carreira de enfermagem: “Quando era nova, tínhamos uma plantação de bananas em casa; essas eram os meus pacientes. Usava espinhas de peixe para vacinar as bananeiras, que considerava como crianças. Todas as plantas da minha mãe tinham buracos. Sempre que via as folhas de bananeira cheias de buracos, a minha mãe reclamava: 'Quem é que anda a mexer na minha plantação de bananas?' Eu costumava dizer-lhe: 'Estamos a vacinar estas mães e crianças doentes'.”

Décadas mais tarde, já com um diploma de enfermagem da Universidade de Mulago, Deborah ingressou no hospital Mildmay International como enfermeira. Treze anos depois, decidiu voltar para a escola. “Eu queria chegar a uma posição de liderança. Ao nível da licenciatura, não recebemos muita formação em liderança, mas os meus amigos da Universidade Aga Khan costumavam dizer-me que, quando uma pessoa ingressa na Universidade, torna-se um líder mais capaz, obtém mais competências e pode tornar-se um empreendedor.”

Decidiu inscrever-se e foi admitida num Bacharelato em Enfermagem. “A primeira coisa que aprendi foi uma forma mais organizada de avaliar os pacientes. Esta faz uso do trabalho em equipa, como o processo de enfermagem. Isto impressionou-me bastante. Aprendi a fazer uma avaliação da saúde da cabeça aos pés, de forma sistemática. A teoria de enfermagem também foi interessante.”

Em Janeiro de 2009, formou-se como a melhor aluna da turma, tendo desfrutado de dois anos e meio na Universidade, durante os quais aprendeu sobre liderança, comunicação e trabalho comunitário. “Quando me formei, sabia o que queria. A minha paixão eram as crianças, por isso quando a organização abriu uma vaga para cuidar de crianças, eu enviei a minha candidatura. Acredito que consegui o lugar por causa das minhas qualificações. Fui transferida do departamento de enfermagem para o departamento da creche para trabalhar com crianças seropositivas.”

Naquela altura, ainda havia um grande estigma em relação às pessoas com VIH, mas Deborah contornou as dificuldades e deu esperança às crianças e uma nova vida, tendo mesmo iniciado um coro infantil que viajou para o estrangeiro para atuar durante conferências. Formou também um clube de oradores positivos, com as crianças a irem às escolas para falar sobre o VIH. Falavam sobre estigma e como isso os afetava.

Em 2013, Deborah deu um passo ousado e demitiu-se. Já tinha decidido que queria usar as suas competências e paixão diretamente na sua comunidade em Kajjansi, onde viveu durante muitos anos. Assim, investiu todas as suas economias na criação da Creche Divine, uma escola que oferece serviços de aprendizagem de qualidade para todas as crianças, independentemente do seu estado de saúde ou condição social. Na Divine, todas as crianças são bem-vindas. Ela percorreu a comunidade à procura de crianças, especialmente aquelas com necessidades especiais. Deborah abriu as portas às crianças que tinham sido rejeitadas noutras escolas devido a patologias como albinismo e deficiências físicas. “Há quatro anos, tive um caso de uma criança que chegou aqui num estado de subnutrição severa e que esteve quase a morrer. A sua mãe era doente mental. Cuidei dele até que recuperasse e adotei-o. Agora sou a mãe dele.

Deborah aguarda com expectativa o dia em que a Creche e Berçário Divine se transformem num hospital pediátrico com instalações académicas separadas e com muitas crianças e funcionários.

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Creche e Berçário Divine, Kajjansi, Kampala, Uganda.
Copyright: 
AKDN / Christopher Wilton-Steer

Esta história apareceu pela primeira vez numa coleção de ensaios fotográficos publicados pela Universidade Aga Khan - Nurses and Midwives - Leaders in Healthcare in East Africa.