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  • Agnes Kirikumwino, ex-aluna de enfermagem e obstetrícia da AKU dedica-se a ajudar as mães a pensar positivamente acerca das soluções e a garantir que os recém-nascidos se desenvolvem.
    AKDN / AKU
A alegria substitui a tragédia: a história de uma parteira

Agnes Kirikumwino estava a cuidar das novas mães, durante um estágio clínico incluído nos seus estudos de obstetrícia, quando se deparou com algo invulgar: Grace*, uma visitante da maternidade, começou a chorar de tristeza e não de alegria.

Curiosa, Agnes aproximou-se para ouvir a sua história. Grace confidenciou-lhe que já tinha estado grávida cinco vezes, mas que perdera sempre os bebés, e não conseguia perceber a razão. Ninguém lhe tinha sido capaz de explicar porque não conseguia levar a gravidez até ao fim.

Enquanto ouvia Grace, Agnes pensava qual poderia ser o motivo. Recordou uma palestra sobre os quatro grupos sanguíneos comuns e o fator Rhesus (Rh). A maioria das pessoas é Rh-positivo; e normalmente, ser Rh-negativo não apresenta riscos. Mas durante a gravidez, ser Rh-negativo com um bebé Rh-positivo pode ser um problema. Se o sangue da mãe e do bebé se misturarem, o corpo da mãe começará a produzir anticorpos que podem prejudicar os glóbulos vermelhos do bebé. Isto pode levar o bebé a desenvolver anemia e outros problemas. Seria Grace Rh-negativo?

Seguindo o conselho de Agnes, Grace realizou o importantíssimo exame do fator Rh, que confirmou que ela era, de facto, Rh-negativo. O próximo passo foi aconselhá-la a tomar suplementos de ácido fólico antes de tentar engravidar e explicar-lhe a importância de uma boa assistência médica pré-natal.

A amizade continuou. As duas permaneceram em contacto ao longo da gravidez de Grace, à medida que esta ia tomando as injeções e medicações anti-D necessárias. Percebendo que o parto poderia ser complicado, Agnes encaminhou Grace a um obstetra, que lhe recomendou fazer uma cesariana por volta das 38 semanas.

Agnes estava ao lado de Grace na data prevista e foi uma das primeiras a dar-lhe os parabéns quando finalmente deu à luz um rapaz saudável, a que chamou Miracle Gift [Milagre Dádiva].

“Quando a Grace deu à luz, ela não conseguia acreditar”, recorda Agnes. "Ela estava a tremer. Sempre que tocava no bebé, tinha tanto cuidado para não o magoar, que chegou ao ponto de não conseguir dormir. Tivemos de aconselhá-la e explicar-lhe o que fazer para cuidar do seu bebé, até que finalmente se acalmou."

"Enquanto parteiras, devemos tentar, tanto quanto possível, ajudar as mães a pensar positivamente acerca das soluções e acompanhá-las constantemente após terem alta."

Momentos como estes tornam a carreira de parteira verdadeiramente importante para Agnes, que afirma que a profissão traz uma “felicidade dupla”, ao enriquecer a vida da mãe e da sua família.

Agnes formou-se com um bacharelato em obstetrícia em 2018 na Escola de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Aga Khan na África Oriental. Trabalha como enfermeira e parteira há mais de 16 anos e está atualmente a exercer no Hospital Mulago Kawempe, um dos grandes hospitais financiados pelo estado do Uganda.

Ter conseguido este diploma em obstetrícia foi um ponto de viragem na carreira de Agnes.

"A minha formação ensinou-me a gerir uma unidade neonatal", diz Agnes. “Hoje, sou consultada sempre que são concebidos os planos de cuidados médicos, e o meu diploma deu-me a confiança para transmitir o meu conhecimento a outros estudantes de medicina. Digo sempre aos meus colegas mais jovens que a obstetrícia é uma profissão que requer competências, conhecimento e um bom coração para cuidar.”

Agnes está a procurar fazer um mestrado em enfermagem com uma especialização em saúde materna e neonatal. “Espero especializar-me na prestação de cuidados a recém-nascidos, pois os bebés são inocentes e não conseguem expressar as suas necessidades. Eles precisam de alguém que cuide deles, e as parteiras e enfermeiras com uma boa formação têm um papel vital a desempenhar para garantir que todos os recém-nascidos sobrevivem e se desenvolvem."

*O nome da paciente foi alterado para proteger a sua identidade.

Este artigo foi originalmente publicado no site da Universidade Aga Khan (AKU)