Está aqui

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  • Michael Kocher, Diretor-Geral da Fundação Aga Khan, faz uma declaração em nome da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento durante a conferência humanitária dedicada ao Afeganistão, no Palais des Nations, em Genebra, 13 de Setembro de 2021.
    UN Photo by Violaine Martin
Declaração da AKDN na Reunião Ministerial de Alto Nível sobre a Situação Humanitária no Afeganistão

Suas Excelências, Senhoras e Senhores,

As agências da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento têm a honra e o privilégio de transmitir o nosso compromisso permanente para com os povos do Afeganistão.

Esta é uma lealdade duradoura. Tem por base o mais profundo respeito pelas várias tradições do Afeganistão e pelos laços da nossa humanidade partilhada. O trabalho da AKDN e o seu objetivo de melhorar a qualidade de vida de todas as comunidades que procura servir tem como premissa os princípios éticos do Islão, os quais promovem a paz e a harmonia.

Com este ideal em mente, é nosso desejo agradecer às Nações Unidas por reunir a comunidade internacional neste momento crítico na história do país.

Ao longo de mais de três décadas, temos estado ao lado do povo do Afeganistão. Aproveitamos para reafirmar o nosso compromisso, que permanece inabalável.

Durante este período, tal como hoje, ouvimos e apoiamos as populações ao nível das comunidades para ajudá-las a cumprir as suas ambições individuais e coletivas por uma vida melhor - colaborando para encontrar soluções que sejam sustentáveis, aceitáveis e exequíveis.

Neste processo, a AKDN providenciou tratamento médico e cuidados de saúde que salvaram vidas a milhões de mães, pais, irmãs e irmãos; ajudou a educar centenas de milhares de rapazes e raparigas; construiu infraestruturas rurais, incluindo estradas, pontes e canais de irrigação; ajudou as famílias a melhorar os seus rendimentos; apoiou a sociedade civil; ajudou a preservar o património cultural; fortaleceu a preparação e resiliência das comunidades perante desastres naturais e as alterações climáticas; e levou a conectividade e comunicações avançadas a muitos cantos do país.

A nossa experiência ensinou-nos que um envolvimento inclusivo, transparente, determinado e liderado por afegãos nas suas comunidades pode ser bem-sucedido, como, de resto, tem acontecido. Na verdade, é o único método capaz de criar mudanças reais e duradouras.

Esta é uma lição que exortamos a comunidade internacional a ter em conta, e a atuar com compaixão e perspicácia. Este é o momento para nos envolvermos, para permanecermos em diálogo e continuarmos no caminho do apoio mútuo - para criar uma paz duradoura, para além de oportunidades e prosperidade.

Certamente que este não é o momento de virar as costas a décadas de progresso. Ou aos dois terços da população do país que tem menos de 25 anos, uma geração que cresceu na sombra da guerra, mas que tem firmes esperanças de uma vida melhor. Os seus sonhos e ambições permanecem intactos no Afeganistão, e devemos-lhes a dignidade - a promessa - de continuarmos com eles e com as suas comunidades com vista ao futuro.

Porque as condições são terríveis.

Como ouvimos hoje, a situação económica no Afeganistão é grave e está a piorar. O sistema bancário não funciona. O desemprego galopante está a crescer. Existe uma urgente necessidade de recursos ao nível dos alimentos, medicamentos, educação e outros serviços essenciais. Os estabelecimentos de saúde em muitas áreas podem fechar numa questão de dias, no meio de uma pandemia. Existem já 18 milhões de pessoas em extrema necessidade, com um número semelhante de pessoas em risco. Isto sugere que praticamente todo o país pode ficar sem cuidados de saúde adequados, sem alimentação suficiente e sem meios de subsistência suficientes.

Enquanto parceiros de longa data do Afeganistão e do seu povo, chamamos a atenção para a necessidade de medidas urgentes adequadas:

  • Restaurar o sistema bancário para facilitar as transferências internacionais, permitindo o tão necessário apoio financeiro e o acesso aos mercados;
  • Autorizar o apoio direto sem demoras aos prestadores de saúde e educação;
  • Organizar um sistema de ajuda alimentar robusto e inclusivo e programas de trabalho para combater o desespero; e
  • Desbloquear a assistência já autorizada para o apoio direto à população afegã, proporcionando um socorro imediato, assim como as ferramentas e meios para reduzir a dependência deste socorro no futuro.

Juntamo-nos a outros para sublinhar que estas medidas devem ser tomadas de forma rápida e decisiva se quisermos evitar uma crise sustentada de proporções perturbadoras e desestabilizadoras a nível regional. Apelamos também que a comunidade internacional não abandone o desenvolvimento de longo prazo do Afeganistão, pois as consequências seriam profundas.

Hoje precisamos de uma atenção focada coletiva na urgência da ação humanitária. Hoje e no futuro, as nossas ações têm de ser significativamente humanas.

Obrigado.

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No Afeganistão, a Universidade Aga Khan gere o Instituto Médico Francês para Mães e Crianças como parte de uma parceria com os governos de França e do Afeganistão e com a ONG francesa La Chaîne de L'Espoir.
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AKU / David Fox