Está aqui

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  • Sua Alteza o Aga Khan dirige-se ao público presente durante a inauguração do Centro Aga Khan em Londres.
    AKDN / Anya Campbell
Inauguração do Centro Aga Khan, Londres

Bismillah-ir-Rahman-ir-Rahim

Sua Alteza Real, 

Lorde Ahmad, Ministro dos Negócios Estrangeiros, 

Sr. Sadiq Khan, Presidente da Câmara de Londres, 

As autoridades de Camden, 

Suas Excelências, 

Senhoras e Senhores

É um enorme prazer dar-vos as boas-vindas a esta celebração!

Hoje celebramos uma magnífica e inovadora obra arquitetónica. Ao fazermo-lo, estamos também a homenagear aqueles que tornaram este Centro possível - e os valores que inspiraram o seu trabalho.

Dois desses valores merecem hoje uma menção especial - o valor da educação enquanto uma força para a cooperação e regeneração no nosso mundo - e o valor da arquitetura enquanto uma fonte de inspiração e iluminação.

Ambos os valores - educação e arquitetura - têm sido fundamentais na vida e obra do convidado de honra desta noite, Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales. Como sabem, o compromisso do Príncipe Carlos para com a educação criativa - através de organizações como o Prince's Trust e a Escola de Artes Tradicionais - tem transformado a vida de muitos jovens de diversas origens - ao longo de muitos anos e em muitos lugares.

O Príncipe Carlos tem igualmente afirmado de forma consistente o poder transformador da arquitetura - incluindo as ricas tradições da arquitetura islâmica. Talvez saibam, por exemplo, que desenvolveu na sua casa em Highgrove um jardim islâmico galardoado.

O valor da educação está, obviamente, no centro deste projeto. Estamos orgulhosos por abrir aqui uma nova sede para duas importantes instituições educacionais associadas à Rede Aga Khan para o Desenvolvimento e ao Imamat Ismaili. Uma é o Instituto para o Estudo das Civilizações Muçulmanas da Universidade Aga Khan. A outra é o Instituto de Estudos Ismailis. Os escritórios da Fundação Aga Khan no Reino Unido também ficarão localizados neste espaço. 

Estas instituições - através do seu ensino e investigação, da sua rica biblioteca e recursos arquivísticos, assim como das suas visitas e programas públicos - irão enriquecer a vida de pessoas de todo o mundo.

Para aqueles entre nós que viram estas instituições crescerem desde o início, será uma alegria especial vê-las prosseguir a sua missão a partir de um cenário tão belo. 

E que missão essa!

Um dos principais desafios que o nosso mundo enfrenta hoje em dia é o desafio de procurar harmonizar as várias vozes altamente diversificadas num mundo cada vez mais globalizado.

Eu uso a palavra “harmonizar” com cautela - um vez que o nosso ideal não passar por criar um coro a cantar em uníssono, mas sim um coro que misture muitas vozes distintas num todo inteligente e retumbante. Mas para conseguir isso é necessário um profundo entendimento acerca do que torna distinta cada uma das vozes. E essa é a função primordial dos esforços educacionais que terão neste espaço a sua sede.

Este desafio é particularmente importante na área da religião - e tem sido especialmente desafiante no que às relações entre o Islão e o Ocidente diz respeito. Durante séculos, as culturas muçulmana e ocidental estiveram em grande parte separadas geograficamente - ainda que tenham existido memoráveis períodos de integração, na Península Ibérica e no Sul da Ásia, entre outros lugares. Mas essas foram promissoras exceções ao que alguns observadores vieram a descrever, com o tempo, como um padrão inevitável de civilizações em choque.

Quando iniciei o meu cargo como Imam da comunidade muçulmana xiita ismaili - há apenas sessenta anos - considerei impossível aceitar o conceito de civilizações inevitavelmente em choque. As minhas primeiras experiências de vida passaram-se em ambos os mundos - assim como as de milhões de muçulmanos. Assim, em vez de falar acerca de civilizações em choque, comecei a falar - repetidas vezes, como alguns se poderão lembrar - acerca de um choque de ignorâncias. E o pressuposto por detrás desta frase era que a ignorância poderia ceder ao entendimento através do poder da educação.

Essa perseverante convicção é o que me traz aqui hoje. Acredito que é o que nos traz aqui a todos nós.

Tenho uma grande expectativa de que, a partir desta nova sede, as nossas instituições vocacionadas para a educação contribuam de forma vigorosa para a construção de novas pontes de entendimento entre os abismos da ignorância.

Enquanto isso acontece, o local onde essas instituições estiverem instaladas funcionará como uma importante fonte de inspiração - o que nos leva ao segundo valor que mencionei anteriormente - o poder inspirador da arquitetura. 

Os lugares de onde olhamos o mundo - e os lugares nos quais acolhemos o mundo - podem influenciar profundamente a forma como nos entendemos e como entendemos o nosso mundo.

E não poderia existir um local melhor para as nossas expetativas educacionais e para o nosso entusiasmo arquitetónico do que o local onde nos encontramos hoje - no coração do “Bairro do Conhecimento” de Londres. King's Cross é um dos pontos centrais de ligação numa cidade que por si só tem sido um dos grandes pontos de ligação para o mundo inteiro. 

Este lugar foi moldado por muitas influências diversas - e, entre elas, damos agora as boas-vindas às ricas tradições da arquitetura islâmica.

Uma destas tradições - a qual é apreciada tanto pela cultura islâmica como pela britânica - é a importância especial do jardim. Consideramos o jardim não apenas como um complemento de outras construções, mas como um espaço privilegiado em si mesmo.

E é por isso que tenho vindo a destacar, desde que chegámos aqui em 2010, a minha esperança de que o valor dos espaços de jardim fosse também adotado aqui. À medida que hoje formos passeando juntos por estes espaços, acredito que irão partilhar a minha alegria ao observarem a concretização dessa esperança.

Aquilo que veremos durante o nosso passeio não são apenas bonitos edifícios, mas também um conjunto único de jardins, pátios e terraços - oito, ao todo, nos nossos dois edifícios. Ademais, cada um deles tem uma identidade distinta: cada um é inspirado por uma região diferente da Umma Islâmica.

Em conjunto, esta faixa ondulante de espaços excecionais é um eloquente tributo à rica diversidade do mundo muçulmano. 

Estes irão oferecer uma experiência maravilhosa de revitalização e descoberta àqueles que percorrerem estes corredores, assim como às pessoas que irão viver e trabalhar aqui, e aos visitantes em geral.

Como mencionei anteriormente, já existe um extraordinário jardim islâmico nesta parte do mundo, aquele que o Príncipe Carlos construiu na sua própria casa. Mas dado que conseguir chegar a Gloucestershire é uma aventura, pensámos poupar às pessoas essa viagem e construir um jardim aqui! Assim, podem visitar oito jardins islâmicos mesmo aqui no coração de Londres!

Ao inaugurarmos este local impressionante, é um privilégio saudar aqueles que nos permitiram chegar até aqui. Queria destacar, em particular, o nosso excelente relacionamento com os governos deste bairro, desta cidade e deste país, assim como a nossa gratificante parceria com a Argent e os seus funcionários. Estamos igualmente gratos pelo talento da Maki e Associates, Allies e Morrison, Madison Cox e Nelson Bird Woltz, assim como de Rasheed Areen e do falecido Karl Schlamminger. Também gostaria de agradecer à nossa esplêndida equipa de funcionários e voluntários, incluindo o meu irmão, o Príncipe Amyn, responsável pela gestão deste projeto até à sua conclusão. 

E saudamos de modo especial a magnífica generosidade por parte de doadores solidários de todo o mundo.

Por fim, ao inaugurarmos este edifício, tenho o orgulho de dar as boas-vindas a um convidado cujo compromisso com uma promessa de educação intercultural - e com o poder da arquitetura - reflete na perfeição o espírito deste lugar e deste momento.

Senhoras e senhores, Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales.